Tamanho não é documento

Não é de hoje que os rankings envolvendo projetos de sócio-torcedor se tornaram uma coqueluche. Fogueira sobre a qual se jogou combustível quando a Ambev, na figura do seu “Movimento por um Futebol Melhor”, passou a disponibilizar seu Torcedômetro. Desde então, a discussão do “meu é maior do que o seu” tomou conta das mesas de bares – reais ou virtuais.

As atualizações mais sofisticadas incluem também os europeus – modo de se auferir os clubes com maior quantidade de sócios do mundo. A última publicação a fazê-lo foi a Máquina do Esporte, a quem pedimos licença para reproduzir o ranking na íntegra:

Fig 01

Mas também não é de hoje que o Blog Teoria dos Jogos alerta para o fato de, no tocante aos projetos associativos, tamanho não ser documento. Foi o que concluímos há dez meses, através da coluna “Sócio-Torcedor: quem fatura mais? Uma análise definitiva”. À época, dissemos que o ticket médio do projeto Nação Rubro-Negra, três vezes superior ao Fiel Torcedor, tornavam necessários 150 mil corintianos para equivalerem ao que o Flamengo arrecadava*. Verdadeiramente, a ótica mais importante.

*Proporção que começa a se aproximar, dados os 132.483 sócios alcançados pelo Corinthians, contra 60.143 do Flamengo (08/03/2016)

Trata-se de uma questão cuja pertinência é comprovada na comparação internacional. Foi o que fez o amigo Benny Kessel, do Blog Balanço da Bola, em coluna publicada no site Mundo Rubro Negro. Em análise sobre o Relatório de Gestão 2014/2015 dos portugueses do Benfica (antigos líderes do “ranking mundial”, atuais terceiros colocados), o colunista descobriu os seguintes elementos:

“– Do total de valores pagos pelos sócios-torcedores do Benfica, apenas 25% são transferidos para o clube;

– O clube obteve como rendimento 2,6 milhões de euros líquidos;

– A receita com sócios-torcedores representa 3% das receitas recorrentes com futebol (não considera venda de direito de atletas).

– Pelas demonstrações contábeis do Flamengo em 2014, do montante arrecadado com STs (R$ 30,4 milhões), o clube fica com R$ 21,9 milhões, ou seja, 75% do total, repassando 25% para a operadora do programa. No Benfica a relação é inversa, 75% para a operadora, 25% para o clube;

– Com o seu programa em 2014, o Flamengo obteve R$ 21,9 milhões de reais líquidos, valor que, em 31/12/2014 correspondia a 6,8 milhões de euros, quase 3 vezes mais do que o obtido pelo Benfica;

– As receitas líquidas do Flamengo representaram 7,7% do total das receitas recorrentes com futebol em 2014, 10,7% se considerarmos as receitas brutas. Bem mais do que os 3% apurados pelo Benfica.”

 De onde concluiu:

“Pelo menos em lucros obtidos com o programa, o Benfica não tem muito a ensinar ao Flamengo.”

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Nem ao Flamengo, nem a muitos dos nossos gigantes – como Corinthians, Palmeiras, Internacional, Grêmio e Cruzeiro. Todos capitalizando com seus projetos em níveis inéditos, independente da diferença no preço médio ou nos benefícios oferecidos por um ou outro.

Por tudo isto – e apesar dos inúmeros pesares – é pertinente que tratemos nosso recorrente complexo de vira-latas. Há, por aqui, profissionais sérios, capacitados e iniciativas de marketing de sucesso. O desafio é difundi-las a todos os clubes, bem como torná-las sustentáveis. Fugindo das intempéries típicas do universo futebol, como o sucesso apenas nas boas fases.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

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9 comentários sobre “Tamanho não é documento

  1. É incrível como o Vinícius sempre se apresenta para defender o Flamengo quando confrontado com números que não lhe são favoráveis.
    Primeiro foi a defesa desta divisão injusta dos direitos televisivos porque o Flamengo é o maior beneficiado, agora é com relação aos números de sócios torcedores.
    Não acredito em nada disto que foi publicado, pra mim estas pessoas citadas como responsáveis pelas análises também estão fora da realidade.

    1. E você é o senhor sabe tudo de quem está ou não dentro da realidade. Pesquise e apresente números mostrando que o blogueiro está errado. Dizer que não acredita nos números apresentados por ele é tão infantil quanto dizer que não acredita na quantidade de gols marcados pelo Pelé. Uma vez que são dados de domínio público.

      1. O ônus da prova é de quem propõe, ele não provou nada, onde estão os documentos dizendo que o Benfica só recebe 25% do que arrecada, ou da rentabilidade do programa de sócios Corinthians ou de qualquer outro clube? Pelas palavras dele o programa de sócios do Flamengo é o melhor do Brasil, quiçá do mundo.
        Este papo de que fulano falou, sicrano me avisou, entre outras baboseiras, pode até servir de base para os trouxas (você, incluso) ou flamenguistas como o articulista, não para pessoas cônscias que não se deixam levar por opiniões carregadas de parcialidade como estas.
        Você por certo deve acreditar em mula sem cabeça, saci pererê, papai Noel, coelhinho da páscoa, entre outros folclores por aí.
        Ora, faça-me o favor, recolha-se a sua insignificância.

  2. Concordo com o Julio Cezar de Carvalho…Blog flamenguista…Nunca visa a imparcialidade…Esta tomando um baile no ST e vem com esse papinho agora? Cadê a maior torcida do Brasil? O Corinthians domina onde é necessário…Onde esta grande parte do PIB brasileiro.

  3. Sr. Rodrigo, na próxima vez que fizer análise sobre público e renda, faça como neste post e foque em arrecadação e preço médio de ingressos.

    Afinal, colocar 60 mil cobrado “dez real” em média por ingresso, não deve nem ser citado. Faça isso na próxima.

    Atualizando: Corinthians 143 mil sócios-torcedores. Eu acho o programa do Corinthians danoso a ele ainda, mas vai melhorar.

  4. A questão central da baixa remuneração do Plano de Sócio Torcedor do Corinthians é que ele é administrado pela Omni que leva 50% da receita. Em um contrato absurdo, o Corinthians ainda paga à empresa pela confecção dos ingressos.

    1. Este é um problema que está perto de desaparecer. Logo ficará livre da Omni para o bem do clube.

      Vou repetir, o melhor dos mundos para qualquer clube é ter muito público com valor médio de ingresso com preço razoável – que acho ser acima de R$ 50,00 – para poder manter salários em dia, pois o custo do futebol é alto – sem contar os desvios.

      Jogos Oficiais 2016 do Corinthians na Arena: 8
      Renda Bruta 14.571.951,50
      Público Pagante 260.229
      Média Público por Jogo 32.528,625
      Média R$ por jogo 1.821.493,938
      R$ Médio do Ingresso 55,99664718

      Este valor médio de ingresso está bom, mas poderia ser melhor.

      Mas, a maioria dos jornalistas quer socializar o futebol e, ao mesmo tempo que times fortes com jogadores selecionáveis, isso na prática é impossível. Parece que a maioria dos jornalistas vivem no mundo da lua ou sonham muito e acabam fugindo da realidade.

  5. Os flamenguistas se doem porque Palmeiras e Corinthians lideram o processo de modernização do futebol brasileiro. Os dois pode ter torcidas menores que a do “Mengão”, e a torcida do Palmeiras é muito menor, mas esses times estão centrados no centro-sul, onde as pessoas têm dinheiro, se interessam por futebol, consomem futebol. Dai Flamengo e Vasco choram, porque têm torcedores graças à lavagem cerebral que fizeram no povo do interior do Norte e Nordeste, Botafogo, Fluminese, Santos, Cruzeiro e Atlético Mineiro choram porque não têm torcida e o São Paulo chora porque a torcida que tem prefere fazer crochê a ver futebol…

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