Todos saíram ganhando (Análises variadas sobre o Fla x Flu)

Fig 01

Talvez o torcedor surja como parte mais frustrada pelo decepcionante 0 x 0 entre Flamengo e Fluminense, jogado em plena cidade de São Paulo na tarde de ontem. Mas até estes foram vistos orgulhosos, ostentando suas cores em ambientação tão peculiar. A torcida do Flamengo, especialmente (e como se fosse necessário), provou mais uma vez seu potencial de encher qualquer estádio do Brasil. Este não foi, entretanto, o único sentido no qual o Fla x Flu do Pacaembu foi um sucesso.

Fig 02

Para o estádio, foi uma oportunidade de ouro. Relegado após a construção de duas arenas de ponta na cidade (Allianz Parque e Arena Corinthians), o Paulo Machado de Carvalho vinha recebendo pouquíssimas partidas. No ano passado, a falta de eventos foi tamanha que chegou-se a cogitar sua utilização em partidas de futebol de várzea. Com o Fla x Flu, o estádio não só ganhou vida como importantes recursos para sua manutenção. Tanto o público pagante de 28.727 quanto a renda de R$ 1.374.375,00 ocupariam a quarta posição no ranking do Campeonato Paulista 2016. A primeira, caso fossem desconsiderados três jogos na Arena Corinthians.

Fig 03

Já a poderosa mídia paulistana nunca havia dedicado tanto espaço para times do Rio. Além da cobertura da partida em si, o Fla x Flu rendeu um sem número de crônicas e análises que denotam o olhar curioso dos paulistanos (Leia algumas clicando aqui, aqui e aqui). Quase 24 horas após o fim do embate, matérias seguiam no top-5 das mais lidas e comentadas da Folha de S.Paulo. Reflexo do orgulho paulistano de se provarem cosmopolitas, com potencial para receber eventos de qualquer natureza.

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Desde o estádio revigorado, até os clubes superexpostos na sede do mercado publicitário, passando por curiosos pela configuração impensavelmente mista, sorriram todos naquela belíssima e azulada tarde de domingo.

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O Blog Teoria dos Jogos, presente ontem ao Fla x Flu, não tem por hábito realizar análises de match day que não envolvam arenas. Ainda assim, houve exceções – como a final da Copa América entre Chile e Argentina, no Estádio Nacional de Santiago. Segue então um breve resumo analítico e fotográfico do evento, para os muitos que ainda não conhecem o charmoso estádio.

Fig 04

Absurdamente bem localizado, o Paulo Machado de Carvalho é um estádio encrustado em área nobre entre a região central e a zona oeste da capital paulista. Relativamente próximo ao metrô, sua acessibilidade se torna plena também pela presença de importantes avenidas no seu entorno, como a Dr. Arnaldo, a Av. Pacaembu ou mesmo a Rua da Consolação e a Av. Paulista. Estacionar, entretanto, não é tão fácil nas ruas estreitas de seu entorno imediato.

Fig 05

Fig 06

Em meio às mansões do bairro, o estádio é praticamente encaixado em um vale, sendo acessado pelo alto em diversos pontos (como no Tobogã ou nas cadeiras de cor laranja). Tombado pelo patrimônio histórico, quase nenhuma modificação substancial é permitida, o que fará do Pacaembu um eterno representante da old school e dos tempos pré-Maracanã, quando se impôs como maior estádio do Brasil.

Fig 07

Se tudo isto contribui com charme, por outro lado o Pacaembu se encontra bastante deteriorado, com cadeiras em mau estado, banheiros insuficientes e cabines químicas em alguns setores. As filas do lado de fora eram enormes (embora tenham fluído rápido), reflexo das poucas roletas. Em diversos lugares, torcedores se sentam diretamente no concreto, como se estivessem em um estádio 20 ou 30 anos atrás.

Fig 08

Em termos de visibilidade e conservação do gramado, absolutamente nada a reclamar. Na contramão do resto do país, a cerveja segue proibida no estado de São Paulo. Como compensação, em dias sem jogo o estádio possui um bar em funcionamento, anexo ao maior de todos atrativos: o Museu do Futebol. Outro resquício de modernidade é o pequeno placar eletrônico que expunha o nonsense do “Carioca 2016” a lado do símbolo da Prefeitura de São Paulo.

Fig 09

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Algumas curiosidades sobre o boletim financeiro do Fla x Flu, divulgado ao final da tarde de hoje:

Da renda total de R$ 1.374.375,00, os clubes levaram pra casa, juntos, R$ 692,951,42 (50%);

Este valor não foi maior porque conta da necessidade de 15% de repasses às Federações: 10% à FERJ (R$ 135 mil) e 5% à FPF (68 mil).  O total de despesas, aliás, foi alto: R$ 681.423,53;

Fla e Flu ficaram, cada um, com R$ 346.475,73. Mas sobre o valor rubro-negro incidiram R$ 51.971,36 de penhoras;

Foram devolvidos (não utilizados) 464 “ingressos promocionais” (cortesias), o que talvez explique algumas cadeiras vazias no setor manga, um dos muitos que tiveram seus ingressos esgotados;

De um total de pouco mais de 10 mil ingressos disponibilizados para a torcida do Fluminense no Tobogã, apenas 2.828 foram adquiridos. Por exclusão, cerca de 25 mil pagantes eram flamenguistas, além de alguns “neutros”.

Um grande abraço e saudações!

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3 comentários sobre “Todos saíram ganhando (Análises variadas sobre o Fla x Flu)

  1. É inegável a superioridade da torcida do Flamengo no clássico em São Paulo, mas restringir a presença tricolor somente aos ingressos vendidos para o Tobogã e faltar com a verdade, visto que havia muitos tricolores nas zonas mistas, aliás, esta exaltação ao Flamengo em detrimento dos outros clubes vindo de quem vem não é novidade nenhuma.
    Por certo haviam mais de 5 mil pagantes tricolores no Pacaembu.
    Saudações Tricolores!

    1. Tricolores na zona mista eram 2 ou 3%. E isso com uma grande dose de boa vontade. Vocês teriam que ficar na área de visitantes. O jogo deixou de ter 7.000 pagantes a mais, pois a torcida do Flamengo esgotou sua parte e não teve acesso aos ingressos do tobogã,que logicamente encalharam. Vocês devem dar graças a Deus de o Flamengo existir. Ganharam uma bolada por jogos em Brasília e em SP sem alcançar 10% da presença de torcedores rubro-negros.

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