Um acerto chamado “Arena Botafogo”

Fig 01

No próximo sábado, data peculiar para um clássico da envergadura de um Botafogo x Flamengo, ocorre a inauguração do mais novo estádio de “propriedade” do Glorioso. Trata-se da Arena Botafogo, na Ilha do Governador. Com o perdão pela utilização indevida e um tanto banalizada da expressão “arena” (tudo o que o velho Estádio Luso Brasileiro não é), o fato é que a parceria com a Portuguesa/RJ constituiu grande bola dentro por parte da diretoria alvinegra. E o Blog Teoria dos Jogos explica o porquê.

Fruto de um acordo que resultou em investimentos na ordem de R$ 5 milhões por parte do clube da Estrela Solitária, a Arena Botafogo ergueu-se como um estádio para 15 mil torcedores na zona norte do Rio de Janeiro. Não se trata de novidade: em 2005, Botafogo e o mesmo Flamengo reformaram o próprio Luso Brasileiro (à época renomeado Arena Petrobras) por conta da interdição do Maracanã para os Jogos Panamericanos. A importância do retorno à Ilha ocorre pelo reconhecimento, por parte dos botafoguenses, de duas verdades inconvenientes:

1-É melhor investir agora do que pagar com o rebaixamento.

Desde o ano passado, o Botafogo ocupa a condição de clube mais endividado do país. Para piorar, é também o de pior relação receita/dívida, dada a simplória 13ª posição no ranking de receitas em 2015. Seu faturamento, inferior ao do Atlético-PR, equivale a apenas 16% do passivo total. Diante deste cenário, o que justificaria a custosa remodelação de um estádio antigo, ultrapassado e relativamente mal localizado – que só será utilizado até que o Engenhão volte às suas mãos?

Justamente o entendimento de que o clube não possui cancha para suportar a competitividade do Campeonato Brasileiro sem o imprescindível fator-casa verificado em sua cidade-sede. Ainda que a instalação das arquibancadas tubulares surja como um sunk cost para o Botafogo, a verdade é que o clube não conseguiria conviver com o apequenamento resultante de um terceiro rebaixamento. Diminuição que viria tanto pela queda das receitas quanto em termos institucionais. As duas passagens pela Segundona provaram: após ser abraçado pelos alvinegros na campanha da série B em 2003, ano passado o Bota apresentou apenas a sétima melhor média de público do torneio (9.337 pagantes).

2-Fora do Rio, o clube não possui torcida que justifique excursionar

Esta possivelmente seja a conclusão mais delicada. Após viver a ilusão de “os clubes do Rio de Janeiro terem torcida nacional”, nos últimos anos os fatos batem à porta do Alvinegro de maneira contumaz. Na condição de mandante ou visitante, quanto mais afastado do Rio, menor é o quantitativo de botafoguenses nos estádios. Algo comprovado não apenas pelas pesquisas de torcida aqui divulgadas (clique aqui e aqui), mas também escancarado pelo mapa de calor do ranking das torcidas no Facebook, importante iniciativa do Globoesporte.com:

Fig 02

A dura realidade é que Brasília ou Vitória são simples manchinhas um pouco menos claras. Fora do Rio de Janeiro, o único lugar onde o Botafogo possui representatividade é a Zona da Mata mineira, região que tem em Juiz de Fora sua capital informal. Mesmo lá, os números do Botafogo este ano são sofríveis: 7.091 pagantes, média catapultada por um clássico diante do Flamengo pelo Carioca. Sem aqueles 16.150 torcedores, restariam ao Glorioso decepcionantes 4.071 pagantes em três jogos do Brasileirão. Surpresa nenhuma: com seus pouco mais de 500 mil habitantes, JF vivencia processo semelhante ao da malfadada cidade de Volta Redonda.

Antes mesmo da inauguração, alvinegros já vivem algum alento pela melhoria dos resultados do time no Brasileiro. Ainda assim, assombra a 14ª posição, apenas um ponto acima da zona da degola. Diante disto, se nas arquibancadas do Engenhão os botafoguenses se reunirem em celebrações pela participação na Série A 2017, em muito deverão agradecer pela ousadia da pilotagem rumo às cercanias do Aeroporto do Galeão.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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6 comentários sobre “Um acerto chamado “Arena Botafogo”

  1. Você arrumar um local para jogar dentro do Rio é um acerto, mas gastar R$ 5 milhões pra isto eu acho que já é uma bola fora, principalmente porque o Botafogo já terá o Engenhão em setembro ou outubro.
    Fala-se que ele utilizará também no Carioca do ano que vem, mas aí eu pergunto, onde o Botafogo conseguirá receitas para manter o Engenhão e o estádio da Ilha do Governador?
    O Fluminense fez o mesmo em Edson Passos e gastou apenas R$ 700 mil, e olha que o clube nem estádio tem, e continuará assim por algum tempo, pois este imbróglio do Maracanã tem tudo para se arrastar por muito tempo ainda após as Olimpíadas.
    Saudações Tricolores!

  2. Vínicius, permita-me discordar quanto à segunda conclusão, ao menos no generalismo empreendido no texto. É óbvio que o Botafogo, diretamente afetado por longos anos de maus resultados esportivos, sofre com a renovação da torcida. Mas não é menos claro que a baixa presença em domínios forasteiros se deveu, além do fator “massificação de oferta”, à baixa qualidade do time. Apenas para provar que em boa fase o excursionamento seria possível, lembro rapidamente de bons públicos fora do RJ sem ter ocorrido o efeito carona:
    1 – Botafogo x Goias em Brasília em 2013 (torcida 95% alvinegra) – 22 mil pagantes (pelo que me lembro, o maior público de torcida única que não envolvia jogos do flamento);
    2 – Botafogo x América – MG em JF, na série B de 2003 – cerca de 23 mil presentes (sem o apelo de uma final de primeira liga, por exemplo, em que a Concer estimou que mais de 15 mil pessoas vieram do RIO até JF para ver o flu;
    3 – Botafogo x Corinthians em Manaus (estádio absolutamente dividido) – quase 25 mil presentes;
    4 – Botafogo x Vila Nova (nao tenho certeza) em Cariacica em 2015 – 15 mil presentes
    5 – Botafogo x bahia (Sergipe) – 14 mil pagantes (70% alvinegros)
    6 – Botafogo x Sobradinho (BSB) – 18 mil pagantes em Gama

  3. não torço para o atletico-pr mas o que você disse com a palavra INFERIOR AO ATLETICO-PR foi um desrespeito, o atletico-pr é muito maior que o botafogo, botafogo não É TIME GRANDE é time MÉDIO, obviamente o atl-pr tem que lucrar muito mais, se o atletico-pr fosse do eixo seria um dos grandes clubes do brasil.

  4. Ao sr. Rodrigo.n, falar que Atletico/Pr é maior que o Botafogo/RJ é no mínimo uma falta de conhecimento histórico sobre o esporte. O Botafogo/RJ é sem dúvida um dos maiores da história do futebol no mundo! Então não se sinta ofendido por um comentário que fala apenas de renda, que nada mais é do que um reflexo momentâneo da situação do time, o que implica diretamente na empolgação no seu torcedor, o que aliás tem ainda a interferência de outros fatores como a segurança pública por exemplo.

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