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Razões pelas quais o Carioca foi parar na UTI

Fonte: Fox Sports

Textos, análises e colunas elencando as razões da falência do Estadual do Rio se tornaram tão abundantes quanto oxigênio. Mais ainda num ano em que a Taça Rio se tornou inacreditavelmente amistosa, com grandes duelando em confrontos esvaziados e sem qualquer sentido – já que as semifinais estavam previamente determinadas. No entanto, ainda que sejam maioria, nem todos os motivos da bancarrota são tão óbvios quanto parecem. Tentando ir além, fugiremos do senso comum e indicaremos a viabilidade da adoção de medidas que tentassem reverter os sintomas, tirando o paciente chamado Campeonato Carioca de sua experiência de quase-morte.

1- Fórmulas esdrúxulas

Apesar de já existirem muitos defeitos, até 2007 o regulamento do Carioca era um dos únicos itens presentes em sua pauta de exportações. Tanto o Campeonato Mineiro quanto o Gaúcho, cada um a seu tempo, chegaram a copiar a fórmula que apregoava “doze times, dois grupos, todos contra todos dentro (Taça Guanabara – 1º turno) e fora (Taça Rio – 2º turno) de seus grupos. Campeões dos dois turnos fazem a final. Quem ganhar os dois é campeão direto”.

Preocupada porque dois campeonatos se encerraram sem finalíssima em curto período (2011 e 2013), a Federação de Futebol do Estado do Rio (FERJ) mudou as regras no ano de 2014, passando a funcionar na base do grupo único, todos contra todos, 15 rodadas. A partir de então, a Taça Rio começou a não valer nada, sendo disputada apenas pelos times pequenos do estado. Este torneio foi o embrião das inúmeras mudanças que viriam a seguir, culminando na edição de pior fórmula em todos os tempos: a atual.

Viabilidade de se proceder mudanças: Alta. Basta querer (e votar em Arbitral) para que os moldes presentes até 2013 retornem.

2- Excesso de times

Importante notar que o número de equipes participantes tem relação inequívoca com o item anterior. Foi a partir de 2008 que a Federação, visando atender ao maior número de interesses possível, insuflou o Carioca de 12 para 16 times. Isto aumentou o número de datas destinadas ao Estadual – em direção contrária a tudo o que se apregoa atualmente – e maximizou a quantidade de jogos de baixa qualidade, sendo pequenos contra pequenos ou grandes contra pequenos.

Numa tentativa de remediar o mal – mas ainda mantendo a ascendência sobre os menores, cujos votos são valiosos para a manutenção do poder – em 2017 a FERJ procedeu uma emenda que, para variar, saiu pior do que o soneto. O torneio segue tendo 16 clubes, mas a primeira fase foi disputada por apenas seis pequenos – que constituíram o famigerado “Grupo A”. Ela incluiu os dois primeiros colocados da Série B de 2016, mais os quatro times de pior campanha no Estadual 2016 (exceto os rebaixados!). Deste imbróglio, apenas dois tiveram a sorte de se juntar aos dez clubes previamente qualificados para o “Carioca de verdade”. Outros quatro foram disputar a aberração chamada “quadrangular do rebaixamento” – como se, ao jogarem apenas contra outros pequenos, já não se sentissem rebaixados de antemão.

Em resumo: diminuíram os jogos de grandes contra pequenos por meio de ferramentas que trouxeram ainda mais injustiças e distorções: a) Um time pode subir da segunda divisão, investir para montar uma equipe e não ter sequer a possibilidade de enfrentar os grandes; b) Torneios envolvendo nanicos sem apelo prolongam-se indefinidamente em paralelo ao estadual principal, impactando negativamente na média de público e positivamente na tábua de artilharia. Isto mesmo: você sabia que o artilheiro do Estadual 2017 é Max, da Cabofriense, que jogou apenas os “torneios da morte”?

Viabilidade de se proceder mudanças: Média. Seria alta, já que basta a Federação decidir pelo fim dos torneios paralelos e o retorno ao Estadual com 12, ascensão e descenso diretos. Mas onde entraria o desejo de se controlar, na base do cabresto, votos do maior número possível de agremiações? Vai contra o projeto de perpetuação no poder que impera na FERJ.

 3- Desvalorização dos pequenos e do interior

Outra decisão equivocada que impactou sobre a média de público foi a proibição, alguns anos atrás, de a maioria dos pequenos mandarem jogos em seus estádios e cidades. À época, alegou-se falta de estrutura para transmissões, falta de segurança, laudos dos órgãos técnicos e outras tantas coisas inexistentes nos cem campeonatos anteriores. O resultado, todos viram: excesso de jogos em cidades com estádios autorizados mas sem demanda para eventos tão pobres e numerosos, como Volta Redonda ou Macaé. O Estádio Raulino de Oliveira passou a receber inúmeros grandes desinteressados e jogando com reservas. O Resende teve que encará-los na mesma cidade, a 40 km de casa, desequilibrando a questão esportiva pela falta do efeito-mandante. Ou seja, uma canetada chafurdou o equilíbrio, as rendas e os públicos da competição.

Viabilidade de se proceder mudanças: Baixa. A Federação passaria a ter que ajudar os pequenos na adequação e manutenção de seus estádios. Ajuda bem diferente (e mais cara) do que a usual, através do mero fornecimento de bolas, chuteiras, uniformes…

4- Desvalorização do produto

Deveria ser péssimo para a FERJ que alguns de seus principais integrantes tenham rompido entre si por não coadunarem com as práticas alheias. Que outros, por alinharem ideologicamente, digam amém a toda sorte de ingerências – principalmente as que prejudicam os insatisfeitos. A Federação deveria fomentar o consenso, e não alimentar a beligerância – como se verifica nos dias atuais.

Deveria ser péssimo para a FERJ que a média de público do Estadual seja a menor da década, impactando negativamente em sua imagem e prejudicando vendas tanto para o público geral (bilheterias) quanto para veículos de mídia e patrocinadores (placas publicitárias, naming rights, receitas de televisionamento, etc).

Deveria ser péssimo para a FERJ que o Estadual do Rio de Janeiro – outrora o mais importante – se tornasse motivo de chacota entre torcedores e profissionais de estados com bem menos tradição no esporte. Mas muito mais público…

Viabilidade de se proceder mudanças: nula, enquanto déspotas se perpetuarem em seus cargos e intervenções do poder público não chegarem às federações de futebol.

Não adentraremos no debate da falta da qualidade dos times, que impacta visceralmente no baixo apelo do certame. Nem na insegurança de eventos que atraem bandidos e culminam em pancadarias e mortes – boçalidades em ambientes que deveriam celebrar a congregação. Tais questões não serão abordadas porque, além de envolverem outras esferas (gestão esportiva, segurança pública, etc), se fazem presentes em todos os outros estados. São chagas brasileiras, portanto. Nosso foco é tudo aquilo que pode ser fruto de análise e alvo de medidas drásticas por parte dos responsáveis pelo Campeonato Carioca de futebol.

Pois se quem manda nos estaduais são as federações, a do Rio de Janeiro – na figura do sr. presidente Rubens Lopes – é a principal responsável pela implosão de seu próprio torneio.

Um grande abraço e saudações!

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Errata: a verdadeira maior venda da história do Flamengo

Na última quinta postamos coluna sobre as maiores vendas da história do Flamengo,  numa comparação com a dupla Gre-Nal, tradicionalmente boa negociadora de seus ativos. Foram considerados os repasses de Renato Augusto e Jorge, respectivamente a Bayer Leverkusen e Monaco, sendo o meia da Seleção transferido no meio da temporada de 2008 – razão pela qual se fizeram necessárias atualizações cambiais e inflacionárias.

No entanto, visando disponibilizar sempre as informações mais precisas e confiáveis – expediente costumeiro do Blog Teoria dos Jogos – contactamos algumas fontes e apuramos outras negociações envolvendo ex-atletas rubro-negros. Tal investigação nos levou a concluir que a verdadeira maior venda da história do Flamengo não foi nem a de Jorge (como já havíamos refutado), tampouco a de Renato Augusto. Seria a de Sávio, comprado pelo Real Madrid em dezembro de 1997 pela fabulosa soma total de US$ 19.437.500,00, sendo US$ 6.437.500,00 em dinheiro e US$ 13 milhões através dos repasses de 50% dos direitos econômicos de Rodrigo Fabri (avaliados em US$ 5 milhões) e 100% de Zé Roberto – ele mesmo – por US$ 8 milhões. Segue documentação comprobatória:

Isto faria com que o atualizado ranking rubro-negro, ficasse assim:

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PS: A cotação do dólar considerada à época da transferência de Sávio foi a de R$ 1,11. O valor da transferência de Jorge foi atualizado para € 9 milhões.

Ou seja: temos que, considerando o valor bruto da negociação (direitos econômicos inclusos) a venda de Sávio foi uma das maiores da história do nosso futebol, superando em muito às da dupla Gre-Nal. Se incluirmos apenas os repasses financeiros, aí a venda de Sávio segue atrás da de Renato Augusto.

Um grande abraço e saudações!

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O que representa a venda de Jorge

Numa manhã turbulenta, que começou com a prisão do vice-presidente de futebol do Flamengo, Flávio Godinho, uma segunda bomba eclodiu pelos corredores do Ninho do Urubu – esta, com menor potencial destrutivo. Foi anunciada, de maneira extra oficial, a venda do lateral-esquerdo Jorge – justamente no dia seguinte à sua estreia pela Seleção Brasileira, na vitória do Brasil sobre a Colômbia. Após um período de esquizofrenia midiática, quando o jornal Extra chegou a divulgar a venda por R$ 68 milhões, os valores posteriormente convergiram para uma faixa bastante inferior: segundo o Globoesporte.com, €8,5 milhões (R$ 28,9 milhões). De acordo com o UOL, €8,8 milhões (R$ 29,9 milhões). Certo mesmo é que o Flamengo ficará com 70% da venda, o que equivale a algo entre R$ 20,2 milhões e R$ 20,9 milhões, seguindo as fontes.

Verdade que os valores não deixam de significar uma entrada de recursos em período de montagem de elenco e disputa de Libertadores. Mais do que isto, o retorno do Flamengo às transações de altas somas, pois há anos o clube não movimenta dezenas de milhões numa negociação. É amplamente sabido que, entre os grandes brasileiros, o Flamengo era o que menos arrecadava com a venda de direitos econômicos – uma verdadeira barreira à sua recente entrada no “clube dos endinheirados”. O Palmeiras, por exemplo – possivelmente o primeiro a ultrapassar a barreira dos R$ 500 milhões em receitas em 2016 – só conseguiu a façanha por conta da venda de Gabriel Jesus, um negócio de R$ 121 milhões. De volta à realidade, o orçamento alviverde para 2017 recuou à casa dos R$ 389 milhões.

De qualquer maneira, a venda do lateral por valores muito inferiores ao que se imaginava, além de recheada de lamentações, vem circundada por informações questionáveis e por um retrato do tamanho da histórica incapacidade flamenguista nesta seara.

Pra início de conversa, não se trata da “maior venda da história do Flamengo”, ao menos não sob o ponto de vista europeu – para quem um euro quase sempre valeu um euro. Em julho de 2008, o Fla vendeu o meia Renato Augusto por €10 milhões, o que hoje equivaleria a R$ 34 milhões, mas à época representavam R$ 25 milhões. Os tais R$ 15 milhões propalados pela mídia representam os 60% a que o clube tinha direito na transação, pouco abaixo do verificado agora com Jorge. Sendo assim, sob a ótica do mercado do futebol, Renato Augusto valia €10 milhões em 2008, Jorge vale €8,8 milhões em 2017. Não é preciso dizer que a “melhor venda” de agora se trata de mera questão de taxa de câmbio, sem a devida correção inflacionária.

Mas e pela ótica interna? Expostos a uma inflação galopante, por aqui definitivamente não podemos dizer que um real vale sempre um real. Decidimos, então, comparar o Flamengo a alguns dos melhores vendedores de atletas do futebol brasileiro, Grêmio e Internacional, corrigindo valores históricos pelo IGP-M. O autor do levantamento foi Alexandre Perin, do Blog Almanaque Esportivo, a quem agradecemos a gentileza pela disponibilização:

INTERNACIONAL:

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GRÊMIO:

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PS: Para a venda de Jorge, foi considerado o valor de €8,8 milhões e a taxa de câmbio de €1 = R$ 3,405036. Caso outros valores divulgados na mídia sejam considerados, a posição no ranking muda.

Temos que a venda de Jorge figuraria apenas na 15ª posição do ranking de melhores negócios da história do Internacional, 12º na comparação com o Grêmio. Há que se considerar, naturalmente, que a posição de lateral não é das mais usuais nesta lista – apenas Mário Fernandes, do Grêmio, aparece à frente da cria da Gávea. De qualquer maneira, dada a idade e a técnica do rubro-negro, era de se esperar algo que envolvesse montantes superiores. Para o bem das próprias finanças do Flamengo, em seu resgate da credibilidade frente ao mercado internacional.

Um grande abraço e saudações!

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Carabao: quem é, o que pretende, aonde quer chegar

Fla Carabao

No final do ano passado, veio a informação de que a Carabao Energy Drink – até então desconhecida fabricante tailandesa de bebidas energéticas – patrocinaria o Flamengo com valores e termos inéditos em se tratando do mercado brasileiro. Durante a temporada de 2017 serão R$ 15 milhões anuais pela exploração das mangas do uniforme rubro-negro, passando a R$ 35 milhões a partir de 2018, quando a empresa assumirá o peito e a condição de principal patrocinadora do clube até 2022.

Como não deixaria de ser em se tratando dos flamenguistas, formou-se um tsunami de euforia, otimismo e curiosidade. Torcedores tomaram a web em memes exaltando a Carabao em detrimento de suas principais concorrentes. Gerou-se enorme desejo de consumo no tocante a um produto que ainda sequer aportou no mercado – e sobre o qual, portanto, se desconhecem preços e qualidade. Criou-se uma quase umbilical relação baseada na piada do “nem te conheço e já te considero”. Tudo por uma companhia que só criou perfil oficial no Facebook do Brasil dia 30 de dezembro – concomitante ao anúncio da parceria com o Fla.

Brincadeiras e exageros à parte, é mais do que pertinente questionar não apenas quem é, mas o que pretende e aonde quer chegar a Carabao.

Pra início de conversa, estaríamos diante de alguma aventureira? A princípio, não. Segundo matéria do Meio & Mensagem – de onde foram extraídas algumas das informações aqui processadas – a Carabao é uma empresa fundada em 2002, com maior presença na Ásia e detentora de 17% do market share de energéticos na Tailândia. Com processo de internacionalização iniciado em 2004, o Flamengo não é o maior investimento esportivo da mesma: para a temporada 2017/2018, o conglomerado adquiriu os naming rights da Copa da Liga Inglesa por aproximadamente US$ 12,2 milhões (R$ 38,6 milhões); o patrocínio do uniforme de treino do Chelsea por 10 milhões de libras anuais (R$ 39 milhões); e a condição de patrocinador principal do Reading FC, da segunda divisão da Inglaterra, dispendendo a bagatela de US$ 37 milhões (R$ 117,2 milhões) por temporada.

A grande questão é o tamanho da Carabao em face do volume de seus investimentos. Estima-se que a companhia tenha fechado 2015 com receita próxima aos US$ 225 milhões. Isto faria com que apenas os aportes futuros a EFL Cup, Chelsea, Reading e Flamengo – que somarão cerca de US$ 65 milhões em 2017 – representem mais de um quarto de tudo o que a empresa vem faturando. Fica difícil não comparar tamanha agressividade a um all in por parte da Carabao, algo um tanto preocupante caso ela não atinja suas metas. Bom lembrar que, além dos valores envolvidos, o contrato firmado com o Flamengo foi também exaltado justamente por seu prazo de seis anos, o mais longo entre os principais anunciantes do futebol tupiniquim.

E quais seriam, afinal, as tais metas da Carabao? Uma dica surgiu em matéria publicada pelo Mundo Rubro Negro, quando foi revelado que o contrato dos tailandeses com o Flamengo presume pagamento de R$ 10 milhões adicionais caso ultrapassem a marca das 70 milhões de latinhas vendidas. O bônus iria a incríveis R$ 80 milhões caso a Carabao venha a se tornar líder de mercado durante a vigência do contrato com o clube carioca.

Parece ousado, quase insano, talvez porque realmente seja. Segundo material extraído do portal da revista Exame, em junho de 2016, o mercado brasileiro de bebidas energéticas fechou 2015 com consumo total de 390 milhões de latas e viés de alta próximo aos 15% anuais. Mantida a expectativa, significa que em 2017 serão comercializadas cerca de 515 milhões de unidades. Assim, as 70 milhões de latas necessárias para o Flamengo acionar seu primeiro bônus (de R$ 10 milhões) tornariam a Carabao detentora de 13,6% do mercado – quase o que ela detém em seu próprio país.

Atingida a primeira meta, teríamos os tailandeses na segunda posição no ranking de market share nacional, pois assim seria a estrutura do mercado brasileiro de bebidas energéticas em 2015: Red Bull (43%), Ambev e Coca-Cola (10%), Grupo Petrópolis (8%), Globalbev (5%), Monster (4%), outros (20%). Ou seja, para acionar o segundo bônus (de R$ 80 milhões), a Carabao precisaria ultrapassar a inacreditável barreira das 222 milhões de latas vendidas.

Há uma semana, a página do jornal Extra trouxe ainda mais luz sobre o plano de metas da fabricante asiática. Segundo a publicação, uma das cláusulas do contrato determinaria a venda de 37 milhões de latas até o dia 30 de setembro de 2018, ultrapassando as 40 milhões de 2019 em diante. Tudo sob pena de rompimento de contrato, caso as projeções não sejam atingidas. Nossos cálculos do parágrafo anterior – que tem como base o ano de 2017 – indicam que a Carabao rescindiria seu acordo com o Flamengo caso não atinja 7% do market share no Brasil.

Em se tratando de um mercado tão pulverizado e competitivo, estaríamos praticamente diante de um devaneio. Primeiro porque estima-se que existam mais de cem marcas de energético por aqui. E em segundo lugar, para atingir seus “meros” 8% de market share atuais, o energético TNT, do Grupo Petrópolis, ocupa nada menos que a condição de patrocinador oficial da Scuderia Ferrari de Fórmula-1 há alguns anos. Nem é preciso discorrer a respeito do volume de investimentos da Red Bull no próprio automobilismo, na TV, futebol e em esportes radicais globalmente.

Diante do exposto, temos que a Carabao surge aparentando ser uma empresa jovem, audaciosa e possivelmente bastante alavancada. O que colherá no futuro depende, sobremaneira, do sucesso de suas empreitadas no universo esportivo inglês e brasileiro. Por aqui, e até o momento, seu único representante seria o Clube de Regatas do Flamengo. Nele residiria a esperança de visibilidade oferecida pela instituição, bem como o consumo potencial de sua enorme torcida. Ainda assim, fica difícil acreditar que metas traçadas para cachorros tão grandes sejam facilmente atingidas por touros ainda tão pequenos.

Um grande abraço e saudações!

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As maiores rendas da história – versão final 2016

Terminada outra temporada, vamos à tradicional atualização das maiores rendas da história do futebol brasileiro. A maioria das novidades envolve partidas da Seleção válidas pelas Eliminatórias da Copa de 2018. 

RANKING EM JOGOS ENTRE CLUBES

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

3) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso;

4) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

5) São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional-COL – Morumbi (SP) – 06/07/2016 – Público: 61.766 – Renda: R$ 7.526.480,00 – Semifinal Libertadores 2016;

6) Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501  – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

7) Atlético-MG 4 x 3 Lanús-ARG – Mineirão (MG) – 23/07/2014 – Público: 54.786 – Renda: R$  5.732.930,00 – Recopa 2014;

8 ) Palmeiras 2 x 1 Santos – Allianz Parque (SP) – 02/12/205 – Público: 39.660 – Renda: R$ 5.336.631,25 – Final Copa do Brasil 2015;

9) Cruzeiro 3 x 0 Grêmio – Mineirão (MG) – 10/11/2013 – Público: 56.864 – Renda: R$ 5.231.711,00 – Brasileirão 2013;

10) Grêmio 1 x 1 Atlético-MG – Arena do Grêmio (RS) – 07/12/2016 – Público: 55.337 – Renda: R$ 5.105.964,00 – Final Copa do Brasil 2016

Obs1: Partidas recém incluídas no ranking aparecem em negrito.

Obs2.: Os valores expressam a renda bruta de partidas na história recente do nosso futebol, não sendo corrigidos pela inflação. O objetivo deste levantamento é justamente a comparação intertemporal de valores, evidenciando a majoração dos preços ao longo dos anos 

Apenas uma partida adentrou a lista, justamente ocupando a décima e última colocação: o segundo jogo da final da Copa do Brasil, que consagrou o Grêmio como maior campeão do torneio. Agora, futuras postulantes precisam ultrapassar a marca dos R$ 5 milhões em bilheteria. Temos ainda dois jogos do Grêmio no ranking, sendo excluído um do Palmeiras, válido pela inauguração do Allianz Parque.

Em jogos do Brasil, incríveis novidades:

RANKING EM JOGOS DA SELEÇÃO

1) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018

2) Brasil 1 × 0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$8.693.940,00 –Amistoso

3) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

4) Brasil 3 x 0 França – Arena do Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

5) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso;

6)  Brasil 0 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 18/06/2008 – Público: 52.527 – Renda: 6.605.255,00 – Eliminatórias Copa 2010;

7) Brasil 2 x 1 Colômbia – Arena da Amazônia (AM) – 06/09/2016 – Público: 36.609 – Renda: R$ 5.840.500,50 – Eliminatórias Copa 2018

8 ) Brasil 2 x 2 Uruguai – Arena Pernambuco (PE) – 25/03/2016 – Público: 43.898 – Renda: R$ 4.961.890,00 – Eliminatórias Copa 2018;

9)  Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 – Renda : R$ 4.357.705,00 – Amistoso;

10)  Brasil 4 x 2 Chile – Pituaçu (BA) – 09/09/2009 – Público: 30.370 – Renda: R$ 4.350.425,00 – Eliminatórias Copa 2010;

Em 2016, vivenciamos nada menos que a maior renda da história de uma partida da Seleção Brasileira. Ela aconteceu em altíssimo estilo, na goleada sobre a Argentina, ocorrida no Mineirão. Trata-se do segundo Brasil x Argentina em solo belorizontino a integrar o ranking de maiores rendas. A vitória sobre a Colômbia, transcorrida da Arena Amazônia, também serviu para colocar a região norte do país no mapa. E por muito pouco uma outra goleada – 5 x 0 sobre a Bolívia, na Arena das Dunas – também não integrou a lista, mas a renda de R$ 4.307.145,00 bateu na trave. É cada vez menor o número de pertencentes ao ranking anteriores à “era das arenas” (a partir de 2013).

No agregado:

RANKING AGREGADO (SELEÇÃO + CLUBES)

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda: R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018;

3) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

4) Brasil 1 × 0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$ 8.693.940,00 – Amistoso

5)  Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

6) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso;

7) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

8 ) São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional-COL – Morumbi (SP) – 06/07/2016 – Público: 61.766 – Renda: R$ 7.526.480,00 – Semifinal Libertadores 2016;

9)  Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501 – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

10)   Brasil 3 x 0 França – Arena do Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

Apenas o jogo do Mineirão entrou para este ranqueamento, fazendo do estádio Governador Magalhães Pinto líder e vice-líder na estatística. Quanto aos preços médios:

MAIORES TICKETS MÉDIOS DA HISTÓRIA

1) Atlético-MG 2 x 0 Cruzeiro – Independência (MG) – 12/11/2014 – Público: 18.578 – Renda: R$ 4.741.300,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 255

2) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013 – Ticket: R$ 250; 

3) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018 – Ticket: R$ 238;

4) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 197

5) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso – Ticket: R$ 194;

6) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso de inauguração – Ticket: R$ 183

7) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013 – Ticket: R$ 167;

8 ) Brasil 2 x 1 Colômbia – Arena da Amazônia (AM) – 06/09/2016 – Público: 36.609 – Renda: R$ 5.840.500,50 – Eliminatórias Copa 2018 – Ticket: R$ 159;

9) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso – Ticket: R$ 150;

10) Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 Renda: R$ 4.357.705,00 – Amistoso–Ticket: R$ 145;

Pertence a Belo Horizonte as quatro primeiras colocações, denotando espantoso poder aquisitivo associado à brutal propensão ao consumo de futebol por parte da cidade mineira. Verdadeiramente, a capital econômica das bilheterias.

Um grande abraço e saudações!

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Tudo sobre audiências – parte 4: as maiores audiências RJ e SP 2016

Há alguns meses o Blog Teoria dos Jogos iniciou uma série de análises relacionadas às audiências televisivas do futebol brasileiro, assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP 2016

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

Após um breve intervalo, que incluiu uma pausa para os Jogos Olímpicos – período profissionalmente muito atribulado – decidimos retomar às análises desde seu tópico 4, dada a saída da TV Bandeirantes das transmissões futebolísticas em torneios nacionais. Devidamente incentivado e “provocado”, importante dizer, pelo amigo Fábio Sormani, da Fox Sports, a quem estas tabelas são dedicadas.

As audiências do futebol em 2016 dividem-se entre as praças do Rio de Janeiro e de São Paulo – únicas divulgadas pela TV Globo semanalmente. Dividem-se ainda entre os principais torneios do ano: Campeonatos Estaduais, Copas (Libertadores, do Brasil e Sul Americana) e Brasileirão. Por fim, os números são separados por dia da semana e pela natureza dos jogos (clássicos ou não), dada a primazia de audiências verificadas às quartas feiras ou em confrontos entre times grandes.

Lembrando que: 1) Cada ponto de audiência equivale a 69 mil domicílios em São Paulo e 43 mil no Rio, enquanto o share significa o percentual de televisores ligados naquele canal; 2) Todos os números se referem apenas à audiência em TV aberta da Globo, menos para os Estaduais, que representam a soma Globo + Band, pois neles ainda havia o compartilhamento dos direitos televisivos; 3) As estatísticas contidas nesta coluna não contemplam a rodada do último fim de semana (24 e 25/9) no Brasileirão.

CAMPEONATOS ESTADUAIS

Pode-se dizer que os campeonatos estaduais são aqueles em que as audiências mais estão expostas a “causas perturbadoras” a lhes enviesarem. Isto porque se tratam de torneios de tiro curto com alto índice de clássicos transmitidos. Assim, clubes com menos torcida tendem a aparecer em poucos jogos, primariamente em clássicos – onde as audiências são naturalmente mais altas. Assim, muitas estatísticas acabam por se insuflar de maneira irreal. Outro benefício que precisa ser relativizado acomete àqueles que chegam à final do campeonato, geralmente um oásis de bons números em meio a um marasmo de audiências regulares.

Dito isto, vamos às análises:

RIO DE JANEIRO

fig-01
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Embora o clube mais televisionado durante o Campeonato Carioca tenha sido o Vasco (nove jogos), foram os sete do Flamengo que apresentaram os melhores números do torneio. Na média final, o Rubro Negro teve um audiência de 27,1 pontos com 49%, contra 25,1 (48%) dos cruzmaltinos, 24,2 (47%) do Botafogo e 22,2 (42%) do Fluminense. Percebam a discrepância entre Flu e Bota pelo fato do alvinegro ter ido à final, catapultando seus números. No campeonato como um todo, ambos tiveram cinco jogos transmitidos.

Quando separamos a análise por dia de semana (DDS) e fim de semana (FDS), chegamos a algumas outras conclusões. Apesar do Vasco ter tido nove jogos na telinha, apenas um se deu nos dias de audiência mais alta, a quarta-feira. E não foi um jogo qualquer, mas um Flamengo x Vasco pela fase de grupos da Taça Guanabara, que explodiu como poucas vezes: 37 pontos de audiência com 57% de participação. De qualquer maneira, o time da Colina passou nada menos que oito vezes aos domingos, desproporção não atingida por nenhum de seus rivais.

Sob outro ponto de vista, separamos clássicos de jogos contra times pequenos – o que também faz uma diferença brutal. Aí os beneficiados são outros:

fig-02
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Dos nove jogos vascaínos na TV, nada menos que seis foram clássicos – sendo dois pelas finais, diante do Botafogo. Até por ser um dos finalistas, o clube da Estrela Solitária se viu bastante inflado, já que quatro de suas cinco transmissões se deram em clássicos. Por outro lado, o Flamengo e principalmente o Fluminense tiveram maior número de jogos contra times pequenos, elemento de evidente impacto negativo. De qualquer maneira, as audiências do Flamengo superaram as dos rivais sob todos os aspectos: 30 pontos (55%) em clássicos e 23,3 (42%) contra pequenos. Neste último caso, os números do Mengão foram 19% superiores aos do Tricolor, segundo colocado – uma enormidade em se tratando destas informações.

SÃO PAULO

fig-03
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Se no Rio o mais transmitido foi o campeão estadual, São Paulo viveu situação antagônica. O Santos, campeão paulista, tive míseros três jogos na TV – sendo dois na final, contra o Audax. O outro, como veremos adiante, foi um clássico. O resultado foram números artificialmente superiores aos de todos os demais: 25,6 pontos e 47% de share. No outro extremo está o Corinthians, com seus oito jogos na TV. Com eles, marcou 24,5 pontos médios e 45%. O São Paulo teve cinco jogos, 22,2 pontos e 42% em média. O Palmeiras, quatro jogos, 24,5 pontos e 46%.

A análise por dia da semana em Sampa diz menos do que no Rio, já que muitos paulistas jogavam a Libertadores enquanto a Globo Rio veiculava seus times no Carioca. Sendo assim, apenas Corinthians (duas vezes) e São Paulo (uma) apareceram na telinha às quartas. Já a análise que separa clássicos de jogos contra pequenos é bem mais reveladora:

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Antes, é importante dizer que o Paulistão deste ano teve, excepcionalmente, um número de clássicos transmitidos menor do que no Rio. Seu campeão de exposição foi o Corinthians, com três jogos, 28,3 pontos e 51%. Os números dos outros podem parecer iguais (São Paulo, 28 pontos) ou maiores (Palmeiras, 29 pontos), mas existe um porém: 75% dos clássicos transmitidos (três de quatro) foram contra o time de Itaquera, ou seja, é exatamente o Corinthians quem ajuda a inflar os rivais. Já o Santos, tendo confrontado duas vezes um pequeno em plena final, nadou de braçada neste recorte.

COPAS

Eis uma estatística muito mais simples de ser analisada: copas só são jogadas às quartas, tornando desnecessária a separação por dia. Também são raros os clássicos nestas circunstâncias – este ano, por exemplo, não aconteceu nenhum. Ou seja, a única coisa a ser considerada aqui é o peso do torneio.

RIO DE JANEIRO

Nenhum time da Cidade Maravilhosa jogou a Libertadores 2016. Sendo assim, a maioria das análises se refere à Copa do Brasil, com exceção dos três últimos jogos do Flamengo, válidos pelas fases intermediárias da Sul Americana:

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Isso mesmo: foram sete jogos rubro-negros, com audiências 22% superiores às do Vasco (26,3 a 21,6 pontos). Cinco jogos vascaínos e três tricolores (20,3 pontos, em média). E nenhum. Nenhum joguinho do Botafogo para contar história…

SÃO PAULO

fig-06

Na Terra da Garoa houve maior equilíbrio entre o líder Corinthians (nove jogos, 26,1 pontos com 40%) e o segundo colocado, São Paulo (oito jogos, 25,5 pontos com 39%). Parte da explicação recai sobre o fato de o Tricolor ter chegado às semifinais da Libertadores, enquanto o Corinthians parou nas oitavas. Assim como o Botafogo, o Palmeiras simplesmente não apareceu na TV nestes torneios. Já o Santos, uma única vez: contra o Gama, pela Copa do Brasil (18 pontos).

BRASILEIRÃO

RIO DE JANEIRO

As transmissões do Brasileirão retomam a necessidade de separação segundo o dia da semana. Contudo, no Rio não se faz necessário repartir clássicos e jogos regulares, uma vez que apenas um foi veiculado na cidade: Fluminense x Botafogo, num domingo de inexpressivos 20 pontos com 38%.

fig-07
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Na ausência do Vasco (que joga a Série B), o grande beneficiado foi o Fluminense que, este ano, apareceu tantas vezes quanto o Flamengo (11 cada). Os dois tiveram igualdade também no perfil das transmissões: quatro em dias de semana, sete em fins de semana. Assim, a comparação entre ambos pode se dar sob bases equânimes.

Em boa dose por conta da fantástica audiência do jogo contra o Palmeiras, o Rubro Negro atropela o Tricolor sob a ótica das quartas feiras: 30,5 com 47% a 23 com 36% – resultado 33% superior. Nos fins de semana, a superioridade flamenguista cai para a casa dos 19% (23 pontos contra 19,3). Já o Botafogo teve cinco jogos, todos aos finais de semana – esvaziando seus números. No geral, portanto, o Fla marca em média 25,7 pontos com 44%. O Flu, 20,6 com 37%. O Bota, 18 com 35%.

Importante: um jogo do Alvinegro aconteceu sábado, dia de audiências tradicionalmente inferiores.

SÃO PAULO

Diferente do Rio, em São Paulo retomam-se análises não só por dia de semana mas também por clássicos. Isto porque, por lá, já foram veiculados cinco dérbis neste Brasileirão. A começar pela primeira ótica:

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Em Sampa também há empate envolvendo Corinthians e São Paulo, ambos com 11 partidas televisionadas. E o perfil é quase o mesmo: Timão quatro vezes às quartas, sete aos fins de semana. Soberano, três às quartas, oito aos domingos. Em compensação, o Corinthians se apresentou num sábado. Sendo assim, em analogia à dupla Fla-Flu no Brasileirão, pode-se considerar justa a comparação direta entre Corinthians e São Paulo.

Às quartas, o Corinthians vence o São Paulo por apertados 25,5 a 24,3 (mesmo share: 40%). Aos fins de semana, um pouco mais de folga: 22,6 (com 43%) para um, 20,1 (com 37%) para outro. Só que em termos gerais, Corinthians (23,6 com 42%), São Paulo (21,3 com 38%) e Santos (23 com 44% em dois jogos) perdem para o Palmeiras (24,1 com 41%). Por quê?

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A explicação reside aqui. Entre as agremiações com mais televisionamentos, o maior percentual de clássicos pertence ao Palmeiras (três de sete). O São Paulo fez três clássicos diluídos num universo de 11 transmissões. O Corinthians, apenas dois em 11. Nas partidas regulares, onde as audiências vem sem tanta facilidade, os 22,9 pontos do Corinthians em nove jogos superam os 22 pontos em 4 jogos do Verdão. Aqui, o Santos é novamente um ponto fora da curva: dois jogos, dois clássicos.

COMPARAÇÕES INTERNAS

No Rio, resta claro que, sob qualquer aspecto, o Flamengo apresenta audiências muito superiores às de seus rivais. Inclusive, pode-se dizer que em condições normais de temperatura e pressão, Vasco, Fluminense e Botafogo se equivalem – com certa vantagem cruzmaltina.

Já em São Paulo, há maior equilíbrio entre o líder Corinthians e o São Paulo – ainda que não se discuta a supremacia do primeiro. Palmeiras e Santos, alguns passos abaixo, se veem tão relegados que geralmente aparecem apenas em clássicos ou jogos decisivos. Seria importante vê-los em mais partidas regulares, proporcionando uma melhor base de comparação. De qualquer maneira, em anos anteriores a dupla já apresentou alguns índices bem fracos.

Aqui, uma questão particular que explica meu grande ponto de discordância com relação ao Sormani. Eu considero que diferenças de alguns pontos de audiência (e share) justificam as diferenças nas cotas de televisionamento, tendo em vista que um mercado tão competitivo quanto o da TV aberta precifica cada ponto marginal em muitos milhões. Sormani tem outro ponto de vista, entendendo injustificáveis as diferenças, por pequenas que seriam.

Não há certo ou errado neste debate, apenas interpretações.

COMPARAÇÃO RIO X SÃO PAULO

Nem todo ano é assim, mas em 2016, o rei das audiências no Rio (Flamengo) supera o preferido de São Paulo (Corinthians) sob todos os recortes – incluindo Copas em que os Paulistas disputaram a Libertadores. O que faz retornarmos ao que é sempre dito: o Rubro Negro se beneficia de audiências maiores e nacionalmente mais dispersas. O Alvinegro, da supremacia nos principais mercados – que não se resumem ao seu berço, já que Paraná ou Rio Grande do Sul muitas vezes alinham com a Globo São Paulo. Por isso, é importante analisar o quantitativo médio de praças alinhando com a transmissão de cada um deles. Assunto para outra coluna…

Um grande abraço e saudações!

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A fábula de um rubro-negro paulistano

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Novamente na manhã de ontem, a torcida do Flamengo deu enorme demonstração de força em praças externas – desta vez, uma nem sequer inédita. Pela segunda vez em 2016, os flamenguistas encheram o Pacaembu, em São Paulo, vencendo o Figueirense por 2 x 0 e mantendo a perseguição ao líder Palmeiras. Ainda que o sucesso comercial das incursões à cidade justifiquem-nas plenamente, a verdade é que ainda há quem desconheça e estranhe as verdadeiras intenções do Rubro Negro em terras bandeirantes. Para compreendê-las, um breve retrospecto histórico se faz necessário.

Ao contrário do senso comum, não foi a Rede Globo na década de 80, nem as ondas do rádio em meados de 1960. Naturalmente, estes meios ajudaram muito a propagá-lo, tornando-o ainda maior. Mas a fama de “maior torcida do Brasil” atribuída ao Fla vem desde algumas décadas antes. Decerto iniciada pela importantíssima condição de capital federal, ocupada pelo Rio até abril de 1960. Isto fazia da cidade um polo exportador de tendências, influenciando culturalmente todo o resto do país. Fazia também despejar sobre as demais seu poderio econômico, já que até a década de 50 era o Rio – e não São Paulo – a maior e mais rica cidade do Brasil.

A perda deste status trouxe ao Rio uma lenta e gradual desimportância. Mas se culturalmente a Cidade Maravilhosa segue como referência, em termos econômicos ela definitivamente se viu destronada pelo colosso paulistano. Hoje 85% maior (população) e 101% mais rico (PIB), é o município de São Paulo quem dita as regras em áreas-chave como mercado financeiro, publicidade e mídia. Bem aí, nossa reconstituição volta a se cruzar com escopo inicial do texto.

Iniciadas as primeiras conversas que levaram à criação da “Só Fla” – e consequentemente à eleição dos executivos capitaneados por Eduardo Bandeira de Mello – uma parcela delas se deu em São Paulo. Trata-se de um testemunho ocular deste blogueiro, paulistano de residência e integrante original da associação. Como é sabido, alguns dos componentes da antiga “Chapa Azul” eram altos executivos de empresas sediadas em São Paulo – desde operadoras de TV por assinatura a meios de pagamento. Outros, ainda que situados no Rio de Janeiro, eram banqueiros e operadores do mercado financeiro.

O ingrediente que deu liga à mistura foi a compreensão, por parte destes profissionais, da desimportância acometida sobre o Flamengo ao longo de quase 20 anos de vexames esportivos e administrativos. Outrora referência, o clube se tornou motivo de chacota. Sinônimo de tudo de pior que um profissional – fosse ele dirigente ou atleta – poderia almejar. Em direção oposta, catapultados pelo potencial de rendas e por uma mídia cada vez mais influente e (questionavelmente) combativa, os clubes de São Paulo trilharam outro caminho. O Flamengo ficou para trás.

Mas como toda fábula tende para um final feliz, ao longo dos últimos quatro anos este processo não só estancou, como iniciou reversão. Ainda assim, num contexto em que nem tudo é reversível: o Flamengo só pode modificar o inerente a si: gestão e resultados. Não mudará o fato de o dinheiro circular muito mais em São Paulo do que no Rio. Nem o maior interesse de Band, Record, RedeTV ou UOL sobre os clubes do mercado que lhes paga as contas. Por isto, o reconhecimento: se não pode vencê-los, o Flamengo deve juntar-se a eles.

Maioral em torcida, o Rubro Negro é relevante em todo Brasil, menos no estado do Rio Grande do Sul – palavra do Blog Teoria dos Jogos, especializado no tema. Só que em São Paulo, o Fla se beneficia mais de um vultoso quantitativo absoluto do que percentual, respondendo por 2,5% dos torcedores da cidade. Por que não cativá-los, portanto? Atrair a juventude, tentar fidelizá-la? Junte-se a isso a promessa de retomada da antiga preponderância, brigando por títulos e vencendo de maneira incontestável. Como ontem, em pleno solo paulistano. Eis a receita do banquete vislumbrado.

Nada disto tem relação com “querer ser paulista” ou dar as costas à sua verdadeira identidade – mais nacional do que carioca. Tem tudo a ver com negócios e estratégia. Com a busca por novos mercados e maior exposição. Desde que sem megalomanias, com pragmatismo e os dois pés no chão, faz o Flamengo muito bem. Ele não se tornará nativo: sob a ótica dos que aqui residem, há quatro times mais importantes. Mas num trabalho de longo prazo, pode, sim, flertar com a cidade e o estado. Visitá-los mais vezes. Cortejá-los, atraindo toda a sua simpatia – o que para alguns é quase amor.

Os holofotes virão natural e consequentemente.

PS: Como torcedor não vive de razão, mas de paixão, parece uma boa ideia incentivar – desde que de comum acordo entre as diretorias – uma “invasão” bem maior do que a de 2008 ao Morumbi, daqui a duas rodadas. O anfitrião, em má fase e com poucas pretensões, certamente não se oporia à possibilidade explorar a capacidade ociosa de seu imenso estádio. Para o Fla, o ganho intangível de perpetuar no imaginário coletivo algo que pode perdurar por décadas. Que o digam os corintianos.

Um grande abraço e saudações!

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Um acerto chamado “Arena Botafogo”

Fig 01

No próximo sábado, data peculiar para um clássico da envergadura de um Botafogo x Flamengo, ocorre a inauguração do mais novo estádio de “propriedade” do Glorioso. Trata-se da Arena Botafogo, na Ilha do Governador. Com o perdão pela utilização indevida e um tanto banalizada da expressão “arena” (tudo o que o velho Estádio Luso Brasileiro não é), o fato é que a parceria com a Portuguesa/RJ constituiu grande bola dentro por parte da diretoria alvinegra. E o Blog Teoria dos Jogos explica o porquê.

Fruto de um acordo que resultou em investimentos na ordem de R$ 5 milhões por parte do clube da Estrela Solitária, a Arena Botafogo ergueu-se como um estádio para 15 mil torcedores na zona norte do Rio de Janeiro. Não se trata de novidade: em 2005, Botafogo e o mesmo Flamengo reformaram o próprio Luso Brasileiro (à época renomeado Arena Petrobras) por conta da interdição do Maracanã para os Jogos Panamericanos. A importância do retorno à Ilha ocorre pelo reconhecimento, por parte dos botafoguenses, de duas verdades inconvenientes:

1-É melhor investir agora do que pagar com o rebaixamento.

Desde o ano passado, o Botafogo ocupa a condição de clube mais endividado do país. Para piorar, é também o de pior relação receita/dívida, dada a simplória 13ª posição no ranking de receitas em 2015. Seu faturamento, inferior ao do Atlético-PR, equivale a apenas 16% do passivo total. Diante deste cenário, o que justificaria a custosa remodelação de um estádio antigo, ultrapassado e relativamente mal localizado – que só será utilizado até que o Engenhão volte às suas mãos?

Justamente o entendimento de que o clube não possui cancha para suportar a competitividade do Campeonato Brasileiro sem o imprescindível fator-casa verificado em sua cidade-sede. Ainda que a instalação das arquibancadas tubulares surja como um sunk cost para o Botafogo, a verdade é que o clube não conseguiria conviver com o apequenamento resultante de um terceiro rebaixamento. Diminuição que viria tanto pela queda das receitas quanto em termos institucionais. As duas passagens pela Segundona provaram: após ser abraçado pelos alvinegros na campanha da série B em 2003, ano passado o Bota apresentou apenas a sétima melhor média de público do torneio (9.337 pagantes).

2-Fora do Rio, o clube não possui torcida que justifique excursionar

Esta possivelmente seja a conclusão mais delicada. Após viver a ilusão de “os clubes do Rio de Janeiro terem torcida nacional”, nos últimos anos os fatos batem à porta do Alvinegro de maneira contumaz. Na condição de mandante ou visitante, quanto mais afastado do Rio, menor é o quantitativo de botafoguenses nos estádios. Algo comprovado não apenas pelas pesquisas de torcida aqui divulgadas (clique aqui e aqui), mas também escancarado pelo mapa de calor do ranking das torcidas no Facebook, importante iniciativa do Globoesporte.com:

Fig 02

A dura realidade é que Brasília ou Vitória são simples manchinhas um pouco menos claras. Fora do Rio de Janeiro, o único lugar onde o Botafogo possui representatividade é a Zona da Mata mineira, região que tem em Juiz de Fora sua capital informal. Mesmo lá, os números do Botafogo este ano são sofríveis: 7.091 pagantes, média catapultada por um clássico diante do Flamengo pelo Carioca. Sem aqueles 16.150 torcedores, restariam ao Glorioso decepcionantes 4.071 pagantes em três jogos do Brasileirão. Surpresa nenhuma: com seus pouco mais de 500 mil habitantes, JF vivencia processo semelhante ao da malfadada cidade de Volta Redonda.

Antes mesmo da inauguração, alvinegros já vivem algum alento pela melhoria dos resultados do time no Brasileiro. Ainda assim, assombra a 14ª posição, apenas um ponto acima da zona da degola. Diante disto, se nas arquibancadas do Engenhão os botafoguenses se reunirem em celebrações pela participação na Série A 2017, em muito deverão agradecer pela ousadia da pilotagem rumo às cercanias do Aeroporto do Galeão.

Um grande abraço e saudações!

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As maiores rendas da história – versão 2016

Na noite de ontem, o Morumbi viveu mais uma jornada de emoções, culminando num resultado nada feliz para o único representante brasileiro na Libertadores. Mas se uma derrota em casa não constava no script, ao menos uma coisa fez os são paulinos se orgulharem: os quase 62 mil pagantes proporcionaram a maior receita de bilheteria da história do clube, recolocando-o no top-10 das maiores rendas. Ranking este que apresenta “novidades novas” e outras um tanto mais antigas, se é que assim podemos dizer:

RANKING EM JOGOS ENTRE CLUBES

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

3) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso de inauguração;

4) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

5) São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional-COL – Morumbi (SP) – 06/07/2016 – Público: 61.766 – Renda: R$ 7.526.480,00 – Semifinal Libertadores 2016;

6) Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501  – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

7) Atlético-MG 4 x 3 Lanús-ARG – Mineirão (MG) – 23/07/2014 – Público: 54.786 – Renda: R$  5.732.930,00 – Recopa 2014;

8 ) Palmeiras 2 x 1 Santos – Allianz Parque (SP) – 02/12/205 – Público: 39.660 – Renda: R$ 5.336.631,25 – Final Copa do Brasil 2015;

9) Cruzeiro 3 x 0 Grêmio – Mineirão (MG) – 10/11/2013 – Público: 56.864 – Renda: R$ 5.231.711,00 – Brasileirão 2013;

10) Palmeiras 0 x 2 Sport – Allianz Parque (SP) – 19/11/2014 – Público: 35.939 – Renda: R$ 4.915.885,00 – Brasileirão 2014;

Obs1: Partidas recém incluídas no ranking aparecem em negrito.

Obs2.: Os valores expressam a renda bruta de partidas na história recente do nosso futebol, não sendo corrigidos pela inflação. O objetivo deste levantamento é justamente a comparação intertemporal de valores, evidenciando a majoração dos preços ao longo dos anos 

Muitos podem estranhar a presença da inauguração da Arena do Grêmio entre as maiores. O fato é que apenas recentemente foram divulgados os números da partida contra o Hamburgo, jogada três anos e meio atrás. Valendo-se de uma brutal demanda reprimida em face da nova casa, os gaúchos catapultaram-se à terceira posição no ranking em jogos entre clubes. A derrota do São Paulo, ontem, cravou o quinto posto. E duas partidas do Atlético-MG deixaram a lista das 10 mais. Agora, temos dois jogos do Atlético-MG, Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo (considerando-o mandante de fato naquele 0 x 0 contra o Santos em Brasília), além de um do Grêmio e um do São Paulo.

RANKING EM JOGOS DA SELEÇÃO

1) Brasil 1×0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$8.693.940,00 –Amistoso

2) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

3) Brasil 3 x 0 França – Arena do Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

4) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso;

5)  Brasil 0 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 18/06/2008 – Público: 52.527 – Renda: 6.605.255,00 – Eliminatórias Copa 2010;

6) Brasil 2 x 2 Uruguai – Arena Pernambuco (PE) – 25/03/2016 – Público: 43.898 – Renda: R$ 4.961.890,00 – Eliminatórias Copa 2018;

7)  Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 – Renda : R$ 4.357.705,00 – Amistoso;

8 )  Brasil 4 x 2 Chile – Pituaçu (BA) – 09/09/2009 – Público: 30.370 – Renda: R$ 4.350.425,00 – Eliminatórias Copa 2010;

9)  Brasil 2 x 1 Paraguai – Arruda (PE) – 10/06/2009 – Público: 55.252 – Renda: R$ 4.322.555,00 – Eliminatórias Copa 2010;

10)  Brasil 2 x 1 Uruguai – Morumbi (SP) – 21/11/2007 – Público 65.379 – Renda: R$ 4.321.225,00 – Eliminatórias Copa 2010;

Novidade também no ranking envolvendo apenas partidas da Seleção. O empate que complicou o escrete canarinho nas Eliminatórias, diante do Uruguai, no Recife, passou a integrar a sexta posição. Temos agora quatro jogos realizados na cidade de São Paulo (sendo um no longínquo 2007), dois no Recife (a grande surpresa) e um no Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador. No ranking agregado, à medida com que sobe a “nota de corte”, fica cada vez mais difícil constarem novas partidas:

RANKING AGREGADO (SELEÇÃO + CLUBES)

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda: R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

3) Brasil 1×0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$ 8.693.940,00 – Amistoso

4)  Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

5) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso de inauguração;

6) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

7) São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional-COL – Morumbi (SP) – 06/07/2016 – Público: 61.766 – Renda: R$ 7.526.480,00 – Semifinal Libertadores 2016;

8 )  Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501 – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

9)   Brasil 3 x 0 França – Arena Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

10) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso;

Já os maiores tickets médios da história são o lado mais estático. Ainda assim, a vultosa média da partida do Grêmio (R$ 183) tornou-se integrante, atingindo o 5º posto:

MAIORES TICKETS MÉDIOS DA HISTÓRIA

1) Atlético-MG 2 x 0 Cruzeiro – Independência (MG) – 12/11/2014 – Público: 18.578 – Renda: R$ 4.741.300,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 255

2) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013 – Ticket: R$ 250; 

3) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 197

4) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso – Ticket: R$ 194;

5) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso de inauguração – Ticket: R$ 183

6) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013 – Ticket: R$ 167;

7) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso – Ticket: R$ 150;

8 ) Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 Renda: R$ 4.357.705,00 – Amistoso–Ticket: R$ 145;

9) Brasil 4 x 2 Chile – Pituaçu (BA) – 09/09/2009 – Público: 30.370  Renda: R$ 4.350.425,00 – Eliminatórias Copa 2010– Ticket: R$ 143; 

10) Brasil 1×0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$8.693.940,00 –Amistoso – Ticket: R$ 137;

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

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Reflexões esportivas e econômicas sobre o “engodo” de Volta Redonda

Fig 01

“Volta Redonda é o túmulo do futebol”.

Eis a frase recentemente proferida por um importante profissional na área de marketing esportivo, num debate interno do qual este blogueiro participa. Apesar de captar o olhar de quem só acompanha o futebol carioca à distância, num primeiro momento soa difícil discordar da assertiva. Os péssimos públicos auferidos por Flamengo, Fluminense e Botafogo no estádio da cidade, o Raulino de Oliveira, são o mote.

Os que se insurgem descontentes com os públicos na Cidade do Aço são, cada vez mais, respaldados por análises vindas da grande imprensa. Há quatro dias foi Gustavo Setti, representando a ESPN, quem abordou a detestável ambientação sob a ótica dos torcedores. Hoje foi a vez d’O Globo, sob a respeitável figura de Carlos Eduardo Mansur. Desde antes, sites e blogs vem dispendendo tempo e neurônios na infrutífera tentativa de compreender a ausência de público.

Chegou a nossa vez. Não a primeira, diga-se de passagem. Desde sempre o Blog Teoria dos Jogos se dedica a compreender, justificar ou refutar questões que envolvam a presença de público e a escolha de Volta Redonda como palco – leia uma análise anterior aqui. Mas desta vez vamos um pouco além, tanto no que se refere à pertinência das críticas dirigidas, quanto na contextualização econômica da questão.

É fato, os públicos em Volta Redonda são péssimos. Mas isto não acontece por improvidência divina ou como fruto de uma população desapegada ao futebol. Terra natal deste blogueiro, é com conhecimento de causa (algo que Juca Kfouri não possui) que afirmo: Volta Redonda é uma cidade como qualquer outra, o que inclui ser também uma cidade apaixonada por futebol.

Mas…

1- A cidade recebe jogos demais – com apelo de menos

Tendo recebido 27 jogos nesta temporada (21 dos grandes cariocas), o Raulino de Oliveira é o estádio mais utilizado do Brasil em 2016. Apenas o Independência, em Belo Horizonte, se aproxima – recepcionando 24 partidas. Mas aí as diferenças vão desde o tamanho dos mercados até a importância dos torneios, considerando-se a ausência de jogos válidos pela Libertadores em solo voltarredondense.

A grande questão é que, no Brasil, cidades de médio porte não costumam ter demanda suficiente para recepcionar mais do que um ou dois eventos. Vide o exemplo de Juiz de Fora, em Minas Gerais – tantas vezes considerada uma “meca” para os clubes do Rio. Com seus 550 mil habitantes, não recebeu mais do que 4.384 pagantes na vitória do Botafogo sobre o Atlético-PR, pelo Brasileirão. Já o Flu foi desde incríveis 23.985 torcedores na final da Primeira Liga (contra o mesmo Furacão) até ridículos 1.406 pagantes, no confronto diante do Criciúma, pela fase de grupos da mesma Liga. É possível que na Cidade do Aço houvesse mais gente.

“Mas e os três clássicos entre Fluminense e Botafogo na cidade?”, alguém retrucaria. Estes só vem a confirmar cada palavra proferida no tópico, já que a reiteração foi a chave do saciamento da demanda e da perda de chamariz. Em 13/03/2016, registraram-se 4.378 pagantes em Fluminense 1 x 1 Botafogo. Em 24/04/2016, 3.562 pagaram ingressos em Flu 0 x 1 Bota. Já no último domingo, o Tricolor deu o troco (1 x 0) mediante 2.860 pagantes – verifique aqui. Mais cristalino, impossível.

2- O comparecimento per capita não é pior do que o da capital

Volta Redonda possui 260 mil habitantes segundo o Censo 2010. Na condição de principal cidade, integra ainda uma conurbação com Barra Mansa, Pinheiral e Barra do Piraí (parcialmente) que detém quase 500 mil habitantes. Semelhante, portanto, à Juiz do Fora do exemplo anterior. Se considerarmos o público médio apenas nos jogos de Flamengo, Fluminense e Botafogo (3.225 pagantes), pode-se dizer que ele representa 1,24% da população da cidade e 0,65% da conurbação. Estes percentuais – se aplicados aos 6,4 milhões de habitantes da capital e aos 11,6 milhões da região metropolitana do Rio de Janeiro – equivaleriam, respectivamente, a inatingíveis médias de público de 79 mil e 75 mil torcedores no Maracanã.

3- Nem todos os times cariocas tem demanda suficiente na cidade

Aqui a argumentação vem baseada em informações exclusivas do Blog Teoria dos Jogos, que mapeou pela primeira vez o perfil de torcidas na cidade. O que se descobriu foi que a monumental diferença no tamanho da torcida do Flamengo (42,9%) para as demais (todas abaixo de 10,8%*) é algo contra o qual fica difícil lutar. De fato, os 10,6% de botafoguenses e os 8,6% de tricolores representariam 27 mil e 22 mil torcedores, respectivamente. Num estádio com capacidade para 20 mil, é como se mal houvesse torcida suficiente para o completo preenchimento de um Raulino de Oliveira.

*A pesquisa foi realizada cerca de duas semanas após o rebaixamento do Vasco, identificando número suspeitamente alto de não-respondentes (7,8%). É possível que parte destes tenham representado vascaínos em desalento.

Não por acaso, mesmo sem qualquer clássico jogado na cidade, o Flamengo conseguiu atrair públicos próximos aos 8 mil pagantes por duas vezes. Enquanto isto, o Fluminense jogou três vezes para menos de 800 testemunhas. Já o Botafogo, apesar da baixa média de público em Volta Redonda, consegue ter um comparecimento médio 60% inferior quando se apresenta em São Januário, em pleno Rio de Janeiro. O problema é mesmo a cidade?

Fig 02

**

A verdade, então, recai sob outros aspectos. Que apontam para o fato de o principal produto esportivo do suposto “país do futebol” (quem merece a alcunha é a Inglaterra) apresentar graves problemas, tanto da parte da demanda quanto da oferta.

Olhando para a demanda, as restrições orçamentárias do brasileiro realmente impactam sobre o comparecimento aos estádios, inviabilizando-o ao nível desejado. Não são poucos os torcedores que alegam a impossibilidade da presença semanal dada a “desimportância dos jogos”. Optam, assim, por reservar dinheiro para fases e embates mais importantes. Se beneficia quem joga o que realmente vale – leia-se a Copa Libertadores. Torneio que faz com que os cinco clubes de melhor média em 2016 sejam justamente os cinco que participaram dele.

Neste sentido, comparar o Brasil com Alemanha, Inglaterra, França ou Espanha – só porque todos são países importantes no mundo do futebol – soa quase como deboche. Naqueles lugares, jogos desimportantes também enchem, ou ao menos não ficam às moscas. Simplesmente porque futebol é lazer, e existe gente suficiente com capacidade para usufruir desta opção sem prejuízo das demais.

Indo além: os problemas de demanda no futebol brasileiro se aprofundam em cidades do interior, condição ocupada por Volta Redonda. Nas grandes capitais, além da maior renda, existe ainda o facilitador que é a existência de times locais fortes e com apelo. Ainda assim, poucas preenchem tais características: em maior escala, apenas São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre, com Salvador, Recife e Curitiba correndo por fora. Marginalmente, Fortaleza ou Belém (pela quantidade) e Florianópolis (dado o poder aquisitivo).

Enquanto isso, sob a ótica da oferta reside um número ainda maior de complicadores ao futebol como espetáculo. É nesta conta, afinal, que se coloca o péssimo produto oferecido, com dirigentes corruptos, times fracos e com rebarbas da Europa, estádios ruins e gramados esburacados. Mais: aqui entram os graves problemas de segurança pública e falta de infraestrutura de transportes, elementos tão atribuídos como razões da ausência do público nos estádios. Clubes que superaram algumas destas dificuldades, como Corinthians e Palmeiras, vem destoando dos demais.

Em suma, são variados e complexos os componentes da demanda por jogos de futebol no Brasil – questão que muito em breve será retomada aqui no Blog Teoria dos Jogos. Como tal, em Volta Redonda não haveria de ser diferente. A cidade veio tão somente expor a urgência com que se fazem necessárias mudanças estruturais na gestão dos clubes, via planejamento e capacidade de visão de longo prazo. Sem, no entanto, servir como mártir de coisa alguma.

Um grande abraço e saudações!

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