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O histórico de Botafogo e Flamengo na Ilha do Governador

É amplamente sabido que, há quatro anos, o Maracanã foi entregue de maneira irresponsável a um grupo empresarial envolvido nos mais escandalosos episódios de corrupção. Depois de tudo vir à tona, gerir instalações futebolísticas tornou-se a última prioridade da hoje moribunda Concessionária Maracanã S.A. Por conta disto, Botafogo (primeiramente) e Flamengo (um ano depois) encontraram no estádio Luso Brasileiro, de propriedade da Portuguesa-RJ, uma solução tão pertinente quanto paliativa. Ao longo da temporada 2016, o Alvinegro fez 13 partidas na (à época) denominada “Arena Botafogo”. Recentemente, o Rubro-Negro completou seu 15º embate na atual “Ilha do Urubu”. Assim, já se faz possível estabelecer comparações em questões que vão além do resultado dentro das quatro linhas.

Mas antes, são necessários alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, parece claro que diferentes clubes fazem contabilizações distintas no que tange a critérios de apropriação de despesas. Por não se tratarem de documentos auditados, borderôs (ou “boletins financeiros”, como descritos no site da CBF) podem conter informações não necessariamente fidedignas. Entretanto, com o avançar das boas práticas, acredita-se que estas informações se aproximem cada vez mais da realidade. Tanto que elas referenciam diversas análises, rankings e estudos.

Em segundo lugar, clubes também vivenciam realidades próprias no que diz respeito ao tratamento do sócio-torcedor, às suas política de preços ou mesmo às fases atravessadas por cada um. O projeto “Sou Botafogo”, por exemplo, possui modalidades de acesso gratuito (mediante pagamento de mensalidade, naturalmente), o que inexiste no “Nação Rubro-Negra”. Conforme veremos adiante, isto pode ter impacto sobre as deduções das despesas.

Quanto ao momento esportivo vivido por Botafogo e Flamengo, pode-se afirmar que foram semelhantes no recorte adotado. Onze dos treze jogos do Botafogo no estádio em 2016 foram válidos pelo Brasileirão, com o clube terminando na quinta colocação e angariando vaga na pré-Libertadores. Atualmente, o Flamengo ocupa o sétimo posto no torneio, algo que lhe proporcionaria classificação para a mesmíssima fase da competição continental.

Por fim, uma última observação. É comum que a mídia especializada subtraia, do público presente, o número de gratuidades, auferindo assim o público pagante de cada partida. Trata-se de um expediente distorcivo, uma vez que nesta conta são ignoradas as cortesias. Percebam, no borderô da partida Flamengo 4 x 1 Bahia, que tais valores entram como receitas de maneira fictícia – pois foram distribuídas, não compradas. Posteriormente, há um movimento de débito de igual valor no campo das despesas.

Em jogos do Botafogo – ao menos à época da Arena Botafogo – o valor subtraído a título de “ingressos promocionais” (nome técnico das cortesias) era ligeiramente superior ao que entrava como receita. Presume-se que seja por conta das tais categorias de sócios com livre acesso, conforme detalhado no terceiro parágrafo. Como não se tratavam de valores tão consideráveis, presume-se a comparação entre os borderôs de Botafogo e Flamengo como em pé de igualdade.

Devido aos esclarecimentos acima, optamos por acrescentar duas colunas às já tradicionais colunas de “renda”, “público” ou “ticket médio”. Elas contém o número de “cortesias” e a subtração do público pagante pelas cortesias, chegando ao número real de frequentadores de estádio a título oneroso. Por fim, temos o resultado financeiro das partidas e o percentual de lucro, quando houver.

Vamos às tabelas:

BOTAFOGO

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O público total médio do Botafogo jogando na Ilha do Governador foi de 9.885 pessoas por jogo, um número 10% superior à média de pagantes (8.966) e nada menos que 27% acima do número “real” de pagantes (7.776) – uma vez que houve em média 1.190 cortesias* por partida. O maior público total foi de 15.170 pessoas (Botafogo 0 x 0 Coritiba) e o menor, 4.839, num embate contra o Bragantino pela Copa do Brasil. A maior renda (R$ 480.060,00) ocorreu no jogo de maior público, bem como a operação mais lucrativa (R$ 196.920,92). Já o maior ticket médio, de R$ 39,23, se deu na partida inaugural do estádio, um empate em 3 x 3 diante do próprio Flamengo.

*Considerando questões já abordadas no tocante às cortesias do Botafogo

Percebe-se claramente que, após uma inauguração minimamente rentável, o Botafogo passou a acumular uma série de prejuízos. Na pior sequência, cinco confrontos entre o Bragantino e o Santos, o clube ficou no vermelho em quatro. Mas com a briga pelo G-6, que se iniciou posteriormente e durou até as últimas rodadas, os déficits foram amenizados. De qualquer maneira, cinco dos 13 jogos tiveram prejuízo, enquanto o  resultado financeiro médio foi de meros R$ 12.940,57 por partida.

FLAMENGO

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O público total médio do Flamengo na Ilha do Urubu é de 12.551, número 11% superior à média de pagantes (11.255) e incríveis 29% acima da média dos que realmente pagaram ingresso (9.697, descontadas as 1.558 cortesias por jogo).O maior público (18.204) se deu na partida Flamengo 0 x 1 Grêmio, mas a maior renda aconteceu no confronto anterior: R$ 1.182.167,00, na vitória de 2 x 0 sobre o São Paulo. Já o pior público foi verificado durante a Copa Sul Americana, com apenas 6.074 comparecendo à goleada de 5 x 0 sobre o Palestino. O ticket médio vem variando entre R$ 32,42 e incríveis 73,50.

Pode-se dizer que o processo verificado pelo Flamengo é exatamente oposto ao do Botafogo. Numa euforia inicial, a lua-de-mel com o novo estádio fez com que todas as oito primeiras partidas fossem (bastante) lucrativas. Até o famigerado Flamengo 0 x 2 Vitória, o lucro médio vinha superior a R$ 400 mil por jogo. Com a desilusão, um impacto negativo dramático: seis prejuízos nas últimas sete partidas na Ilha, mesmo diante de uma nada desconsiderável redução do ticket médio. Assim, o resultado financeiro do Flamengo no período se viu esvaziado a uma média de R$ 179.333,65.

COMPARAÇÃO BOTAFOGO X FLAMENGO

Ao longo do período estudado, os números do Flamengo superam os do Botafogo na seguinte magnitude:

–   Público total 27% maior (12.551 x 9.885);

–   Público descontadas as gratuidades 24% maior (11.255 x 8.966);

–   Público pagante total (sem gratuidades e cortesias) 25% maior (9.697 x 7.776);

–   Quantidade de cortesias distribuídas 30% maior (1.558 x 1.190);

–  Renda bruta média 165% maior (R$ 654.077,67 x R$ 246.107,69);

–  Ticket médio 96% superior (R$ 53,90 x R$ 27,45).

Não restam dúvidas que os resultados rubro-negros no estádio foram, até aqui, consideravelmente superiores. Talvez não ao nível esperado para uma torcida quatro vezes maior na cidade do Rio, mas aí entram questões como a limitada capacidade do estádio, que impede o insuflar dos números em momentos de maior demanda. Ou mesmo o ticket médio com o dobro do tamanho, que serve como um regulador da demanda – especialmente em momentos de escassez.

De qualquer maneira, apenas duas vezes o Rubro Negro atingiu a capacidade máxima reservada para sua torcida: 18 mil pessoas contra Grêmio e Vitória. Todas as outras partidas tiveram menos de 15 mil – e ainda, em cinco ocasiões, menos de 10 mil. Isto mostra o quão falacioso é o pensamento do “sold out todo jogo”, baseando-se nas médias históricas do Maracanã. Trata-se de um padrão de comportamento já verificado na torcida do Atlético-MG, enquanto mandante de partidas no Independência e no Mineirão: quanto menor o estádio, menor é a demanda em níveis inferiores à limitação da capacidade.

Por outro lado, apesar da renda média bastante inferior, as operações alvinegras na antiga Arena Botafogo se mostraram muito mais enxutas. Isto pode ser percebido pelos resultados em partidas com rendas semelhantes, quais sejam: Botafogo 3 x 2 Atlético-MG (renda: R$ 359.455,00) e Flamengo 2 x 0 Atlético-PR (R$ 373.214,00). Apesar dos faturamentos equivalentes, o Botafogo auferiu R$ 122 mil de lucro, em face aos R$ 20 mil de prejuízo do rival.

Finalmente, em termos esportivos o Flamengo vem se saindo melhor. Após 15 jogos, foram 11 vitórias, 2 empates e 2 vitórias, com excelentes 77% de aproveitamento em pontos. Já o Botafogo encerrou sua passagem com 7 vitórias, 3 empates, 3 derrotas e um aproveitamento de 61%. Curiosamente, nenhum dos dois venceu quando o estádio da Ilha do Governador atingiu seus maiores públicos.

Um grande abraço e saudações!

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Santos x Flamengo: a experiência-piloto do #futebolnocinema

A experiência, em si, não chega a ser novidade. Desde 2014, eventos como a Copa do Mundo e as finais do Super Bowl ou da Champions League vem sendo transmitidos em salas de cinema, com razoável índice de sucesso. A grande novidade ocorrida na noite de ontem, durante o embate entre Santos e Flamengo, foi trazer a rivalidade clubística nacional para dentro das salinhas escuras. Uma iniciativa promissora, ousada e até, por que não dizer, polêmica.

Em um país com dimensões continentais como o Brasil, nada é mais comum do que torcidas espalhadas pelo território nacional. No entanto, salvo situações de exceção, partidas de futebol só acontecem numa praça: a cidade-sede do mandante. Sendo assim, uma horda de torcedores presentes em outras cidades se vê alijada da possibilidade de acompanhar in loco seu clube do coração, restando a eles o embate pela TV.

Através desta mídia, as opções costumavam se reduzir a duas: assistir aos jogos em casa ou em bares. Como nem todos gostam de bares, e alguns podem considerar a experiência domiciliar um tanto insípida, os cinemas surgiriam na tentativa de ocupar um vácuo. Trata-se de um ambiente afeito a famílias e que apresenta o auge do conforto, muitas vezes não igualado pelos camarotes mais nobres das novas arenas de futebol.

Assim, pode-se dizer que a empreitada levada a cabo pela Flix Media, em parceria com o Clube de Regatas do Flamengo, foi muito bem sucedida. Distribuída por 14 salas em 11 cidades brasileiras – nem todas de maioria rubro-negra, diga-se – a transmissão focou nos flamenguistas desde o tom dos narradores (retornaremos a isto) até o fato de apenas associados ao projeto Nação Rubro Negra poderem pagar meia.

Ao preço de R$ 90 no Rio e em São Paulo, R$ 80 nas demais cidades, o valor se apresentou como o maior entrave, passível de críticas nas redes sociais. Ainda assim, informações preliminares apontam para uma venda de aproximadamente 1.300 ingressos, mediante oferta total de 2.000 assentos. Parece pouco, mas é mais que o dobro da taxa de ocupação média das salas da rede Cinemark, veiculadora do evento. Inúmeras postagens com a hashtag #futebolnocinema no Twitter indicavam torcedores satisfeitos e fazendo grande festa. Ao menos até a bola rolar.

Botafogo Praia Shopping, por @acioli_rafaella

Aracaju, por @tarcia_araujo

Durante a partida, uma equipe de transmissão 100% focada no Flamengo (e um tanto superficial em suas considerações) destoou da cartilha do bom jornalismo. Funcionaria melhor se, naturalmente, todas as salas estivessem 100% preenchidas por flamenguistas. O problema é que faltou combinar com os santistas – ao menos na cidade de São Paulo. Justamente na sala do shopping Eldorado, aonde compareceu o Blog Teoria dos Jogos, um princípio de confusão se estabeleceu entre um grupo de torcedores rivais. Nesta sala, adeptos do Peixe responderam por aproximadamente 30% do contingente total.

Problemática no Shopping Eldorado – SP

Por sorte, este aparentou ser um episódio isolado, sem eco nas demais 13 salas exibidoras de um confronto que quase terminou em anticlímax, dada a vitória santista por 4 x 2 (classificou-se o Mengão). De mais positivo, a gigantesca tela em alta definição, o som de qualidade e mesmo a baixa dispersão, ao menos na comparação com o que se vive na informalidade de um boteco. É definitivamente uma experiência que se recomenda a todos, algum dia. Como aprendizado, além de um ajuste fino no tom da transmissão, a questão da junção de diferentes adeptos numa mesma sala, pois as preferências difusas em algumas capitais podem ser motivo para o afloramento de ânimos em confrontos envolvendo times de maior torcida.

O Blog Teoria dos Jogos agradece a Ivan Martinho, da Flix Media, pelo convite.

Um grande abraço e saudações!

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Esclarecimentos a respeito das finanças do Flamengo

Ao final de uma elogiada série de publicações acerca das finanças dos clubes brasileiros, o jornalista Rodrigo Capelo, da Época, nos brindou com suas análises a respeito da situação do Flamengo. O conteúdo revela o que já se convencionou como “chover no molhado”: a ótima gestão financeira do Rubro Negro. Mas suscita dúvidas a respeito da primazia econômica do clube no cenário atual. Tudo porque, se a situação é muito boa na comparação com cinco anos atrás, em termos absolutos existem mais dificuldades do que presume nossa vã filosofia.

Arte gráfica -Revista Época

Segundo o autor, o Flamengo teria arrecadado, de fato, R$ 468,7 milhões em 2016, um contraponto aos R$ 510 milhões contidos no balanço patrimonial do clube. Tudo porque contabilidade, embora seja uma ciência exata, é passível de interpretações e diferentes óticas. A principal delas é a questão dos regimes de caixa (o que de fato entrou) e competência (o que foi registrado, apesar de ocorrido em outros exercícios). Em seu balanço 2016 (que pode ser baixado aqui), o Flamengo comunica o recebimento de R$ 120 milhões de luvas pelo televisionamento, mas registra pouco mais de R$ 100 milhões a título de valor presente. Destes, R$ 70 milhões foram adiantados e outros R$ 50 milhões virão em duas parcelas (2019 e 2021). Isto significa uma diferença de aproximadamente R$ 30 milhões entre o que o clube já de fato arrecadou e o que contabiliza. Adicionalmente, R$ 11.345.000,00 adiantados pela REX pelo arrendamento do Edifício Hilton Santos (Morro da Viúva), ainda na administração Patricia Amorim, só foram contabilizados no exercício passado. Isto porque o acordo que desobrigou o Flamengo a devolver aquela quantia só foi fechado no ano que passou. Diante disto, teríamos a tal diferença de aproximadamente R$ 41,3 milhões entre receitas contabilizadas e as de fato verificadas.

Algo parecido, ainda que em vetores opostos, ocorre sob a ótica do endividamento. Segundo o balanço flamenguista, a dívida líquida teria caído para R$ 390 milhões em 2016. Capelo, em seu texto, considera R$ 469,6 milhões. Já a BDO Brazil, uma das principais empresas de auditoria do país, crava R$ 460,6 milhões. Novamente nos deparamos com questões conceituais, pois o Flamengo considerou quase todo seu ativo – que subtraído ao passivo, nos leva à mensuração do endividamento. O problema é que ativos como imobilizado ou intangível não devem ser considerados, segundo interpretação corrente, ainda que o clube o tenha feito. Presume-se, portanto, um endividamento maior, o que explica a situação do Flamengo ser boa, mas não maravilhosa como presumem aqueles que nele colaram a pecha de “novo rico”.

Uma terceira problemática passa pelos empréstimos contraídos. Conforme esclarecido nos parágrafos acima, a dívida ainda é alta e muitas das despesas são descoladas das receitas. Pagamentos imediatos e inadiáveis (como folhas salariais) ocorrem em descompasso com afluxos inconstantes como bilheterias ou premiações por título. Por conta disto, a captação de empréstimos no mercado durante a gestão Bandeira de Mello se deu a uma média de quase R$ 50 milhões anuais – exatamente o valor orçado para 2017:

Fonte: Orçamento 2017 do C.R. do Flamengo

Isto leva o Flamengo à condição de detentor de uma dívida bancária cara, com taxas de juros próximas aos 2% mensais. Trata-se de um passivo que, embora em queda*, o faz em ritmo menor do que o aumento das receitas, já que estas precisam ser rateadas com a administração do futebol (salários, aquisição de direitos econômicos, luvas, etc) e a composição de patrimônio (Ex: CT Ninho do Urubu).

*Apenas com bancos, caiu de R$ 130,3 milhões em 2015 para R$ 111,5 milhões em 2016.

Fonte: Balanço patrimonial 2016 – C.R. do Flamengo

A consequência é algo que não costuma passar pela cabeça do leitor comum, sempre confrontado com números contabilmente tão bons. A redução global do endividamento do Flamengo, ainda que excelente, nem sempre se dá na exata medida dos superávits acumulados:

Fonte: Análise de Mercado – Clubes Cariocas (BDO)

Em se tratando de uma administração premiada por sua austeridade, temos ideia do tamanho das dificuldades. Operacionalizar um clube com passivos importantes e demandas esportivas ainda mais altas não é nada fácil, afinal. Num próximo texto, trataremos das expectativas financeiras do Flamengo após o fabuloso aporte que se aventa, fruto do repasse do jovem Vinicius Junior ao Real Madrid, da Espanha.

Um grande abraço e saudações!

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Razões pelas quais o Carioca foi parar na UTI

Fonte: Fox Sports

Textos, análises e colunas elencando as razões da falência do Estadual do Rio se tornaram tão abundantes quanto oxigênio. Mais ainda num ano em que a Taça Rio se tornou inacreditavelmente amistosa, com grandes duelando em confrontos esvaziados e sem qualquer sentido – já que as semifinais estavam previamente determinadas. No entanto, ainda que sejam maioria, nem todos os motivos da bancarrota são tão óbvios quanto parecem. Tentando ir além, fugiremos do senso comum e indicaremos a viabilidade da adoção de medidas que tentassem reverter os sintomas, tirando o paciente chamado Campeonato Carioca de sua experiência de quase-morte.

1- Fórmulas esdrúxulas

Apesar de já existirem muitos defeitos, até 2007 o regulamento do Carioca era um dos únicos itens presentes em sua pauta de exportações. Tanto o Campeonato Mineiro quanto o Gaúcho, cada um a seu tempo, chegaram a copiar a fórmula que apregoava “doze times, dois grupos, todos contra todos dentro (Taça Guanabara – 1º turno) e fora (Taça Rio – 2º turno) de seus grupos. Campeões dos dois turnos fazem a final. Quem ganhar os dois é campeão direto”.

Preocupada porque dois campeonatos se encerraram sem finalíssima em curto período (2011 e 2013), a Federação de Futebol do Estado do Rio (FERJ) mudou as regras no ano de 2014, passando a funcionar na base do grupo único, todos contra todos, 15 rodadas. A partir de então, a Taça Rio começou a não valer nada, sendo disputada apenas pelos times pequenos do estado. Este torneio foi o embrião das inúmeras mudanças que viriam a seguir, culminando na edição de pior fórmula em todos os tempos: a atual.

Viabilidade de se proceder mudanças: Alta. Basta querer (e votar em Arbitral) para que os moldes presentes até 2013 retornem.

2- Excesso de times

Importante notar que o número de equipes participantes tem relação inequívoca com o item anterior. Foi a partir de 2008 que a Federação, visando atender ao maior número de interesses possível, insuflou o Carioca de 12 para 16 times. Isto aumentou o número de datas destinadas ao Estadual – em direção contrária a tudo o que se apregoa atualmente – e maximizou a quantidade de jogos de baixa qualidade, sendo pequenos contra pequenos ou grandes contra pequenos.

Numa tentativa de remediar o mal – mas ainda mantendo a ascendência sobre os menores, cujos votos são valiosos para a manutenção do poder – em 2017 a FERJ procedeu uma emenda que, para variar, saiu pior do que o soneto. O torneio segue tendo 16 clubes, mas a primeira fase foi disputada por apenas seis pequenos – que constituíram o famigerado “Grupo A”. Ela incluiu os dois primeiros colocados da Série B de 2016, mais os quatro times de pior campanha no Estadual 2016 (exceto os rebaixados!). Deste imbróglio, apenas dois tiveram a sorte de se juntar aos dez clubes previamente qualificados para o “Carioca de verdade”. Outros quatro foram disputar a aberração chamada “quadrangular do rebaixamento” – como se, ao jogarem apenas contra outros pequenos, já não se sentissem rebaixados de antemão.

Em resumo: diminuíram os jogos de grandes contra pequenos por meio de ferramentas que trouxeram ainda mais injustiças e distorções: a) Um time pode subir da segunda divisão, investir para montar uma equipe e não ter sequer a possibilidade de enfrentar os grandes; b) Torneios envolvendo nanicos sem apelo prolongam-se indefinidamente em paralelo ao estadual principal, impactando negativamente na média de público e positivamente na tábua de artilharia. Isto mesmo: você sabia que o artilheiro do Estadual 2017 é Max, da Cabofriense, que jogou apenas os “torneios da morte”?

Viabilidade de se proceder mudanças: Média. Seria alta, já que basta a Federação decidir pelo fim dos torneios paralelos e o retorno ao Estadual com 12, ascensão e descenso diretos. Mas onde entraria o desejo de se controlar, na base do cabresto, votos do maior número possível de agremiações? Vai contra o projeto de perpetuação no poder que impera na FERJ.

 3- Desvalorização dos pequenos e do interior

Outra decisão equivocada que impactou sobre a média de público foi a proibição, alguns anos atrás, de a maioria dos pequenos mandarem jogos em seus estádios e cidades. À época, alegou-se falta de estrutura para transmissões, falta de segurança, laudos dos órgãos técnicos e outras tantas coisas inexistentes nos cem campeonatos anteriores. O resultado, todos viram: excesso de jogos em cidades com estádios autorizados mas sem demanda para eventos tão pobres e numerosos, como Volta Redonda ou Macaé. O Estádio Raulino de Oliveira passou a receber inúmeros grandes desinteressados e jogando com reservas. O Resende teve que encará-los na mesma cidade, a 40 km de casa, desequilibrando a questão esportiva pela falta do efeito-mandante. Ou seja, uma canetada chafurdou o equilíbrio, as rendas e os públicos da competição.

Viabilidade de se proceder mudanças: Baixa. A Federação passaria a ter que ajudar os pequenos na adequação e manutenção de seus estádios. Ajuda bem diferente (e mais cara) do que a usual, através do mero fornecimento de bolas, chuteiras, uniformes…

4- Desvalorização do produto

Deveria ser péssimo para a FERJ que alguns de seus principais integrantes tenham rompido entre si por não coadunarem com as práticas alheias. Que outros, por alinharem ideologicamente, digam amém a toda sorte de ingerências – principalmente as que prejudicam os insatisfeitos. A Federação deveria fomentar o consenso, e não alimentar a beligerância – como se verifica nos dias atuais.

Deveria ser péssimo para a FERJ que a média de público do Estadual seja a menor da década, impactando negativamente em sua imagem e prejudicando vendas tanto para o público geral (bilheterias) quanto para veículos de mídia e patrocinadores (placas publicitárias, naming rights, receitas de televisionamento, etc).

Deveria ser péssimo para a FERJ que o Estadual do Rio de Janeiro – outrora o mais importante – se tornasse motivo de chacota entre torcedores e profissionais de estados com bem menos tradição no esporte. Mas muito mais público…

Viabilidade de se proceder mudanças: nula, enquanto déspotas se perpetuarem em seus cargos e intervenções do poder público não chegarem às federações de futebol.

Não adentraremos no debate da falta da qualidade dos times, que impacta visceralmente no baixo apelo do certame. Nem na insegurança de eventos que atraem bandidos e culminam em pancadarias e mortes – boçalidades em ambientes que deveriam celebrar a congregação. Tais questões não serão abordadas porque, além de envolverem outras esferas (gestão esportiva, segurança pública, etc), se fazem presentes em todos os outros estados. São chagas brasileiras, portanto. Nosso foco é tudo aquilo que pode ser fruto de análise e alvo de medidas drásticas por parte dos responsáveis pelo Campeonato Carioca de futebol.

Pois se quem manda nos estaduais são as federações, a do Rio de Janeiro – na figura do sr. presidente Rubens Lopes – é a principal responsável pela implosão de seu próprio torneio.

Um grande abraço e saudações!

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Errata: a verdadeira maior venda da história do Flamengo

Na última quinta postamos coluna sobre as maiores vendas da história do Flamengo,  numa comparação com a dupla Gre-Nal, tradicionalmente boa negociadora de seus ativos. Foram considerados os repasses de Renato Augusto e Jorge, respectivamente a Bayer Leverkusen e Monaco, sendo o meia da Seleção transferido no meio da temporada de 2008 – razão pela qual se fizeram necessárias atualizações cambiais e inflacionárias.

No entanto, visando disponibilizar sempre as informações mais precisas e confiáveis – expediente costumeiro do Blog Teoria dos Jogos – contactamos algumas fontes e apuramos outras negociações envolvendo ex-atletas rubro-negros. Tal investigação nos levou a concluir que a verdadeira maior venda da história do Flamengo não foi nem a de Jorge (como já havíamos refutado), tampouco a de Renato Augusto. Seria a de Sávio, comprado pelo Real Madrid em dezembro de 1997 pela fabulosa soma total de US$ 19.437.500,00, sendo US$ 6.437.500,00 em dinheiro e US$ 13 milhões através dos repasses de 50% dos direitos econômicos de Rodrigo Fabri (avaliados em US$ 5 milhões) e 100% de Zé Roberto – ele mesmo – por US$ 8 milhões. Segue documentação comprobatória:

Isto faria com que o atualizado ranking rubro-negro, ficasse assim:

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PS: A cotação do dólar considerada à época da transferência de Sávio foi a de R$ 1,11. O valor da transferência de Jorge foi atualizado para € 9 milhões.

Ou seja: temos que, considerando o valor bruto da negociação (direitos econômicos inclusos) a venda de Sávio foi uma das maiores da história do nosso futebol, superando em muito às da dupla Gre-Nal. Se incluirmos apenas os repasses financeiros, aí a venda de Sávio segue atrás da de Renato Augusto.

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O que representa a venda de Jorge

Numa manhã turbulenta, que começou com a prisão do vice-presidente de futebol do Flamengo, Flávio Godinho, uma segunda bomba eclodiu pelos corredores do Ninho do Urubu – esta, com menor potencial destrutivo. Foi anunciada, de maneira extra oficial, a venda do lateral-esquerdo Jorge – justamente no dia seguinte à sua estreia pela Seleção Brasileira, na vitória do Brasil sobre a Colômbia. Após um período de esquizofrenia midiática, quando o jornal Extra chegou a divulgar a venda por R$ 68 milhões, os valores posteriormente convergiram para uma faixa bastante inferior: segundo o Globoesporte.com, €8,5 milhões (R$ 28,9 milhões). De acordo com o UOL, €8,8 milhões (R$ 29,9 milhões). Certo mesmo é que o Flamengo ficará com 70% da venda, o que equivale a algo entre R$ 20,2 milhões e R$ 20,9 milhões, seguindo as fontes.

Verdade que os valores não deixam de significar uma entrada de recursos em período de montagem de elenco e disputa de Libertadores. Mais do que isto, o retorno do Flamengo às transações de altas somas, pois há anos o clube não movimenta dezenas de milhões numa negociação. É amplamente sabido que, entre os grandes brasileiros, o Flamengo era o que menos arrecadava com a venda de direitos econômicos – uma verdadeira barreira à sua recente entrada no “clube dos endinheirados”. O Palmeiras, por exemplo – possivelmente o primeiro a ultrapassar a barreira dos R$ 500 milhões em receitas em 2016 – só conseguiu a façanha por conta da venda de Gabriel Jesus, um negócio de R$ 121 milhões. De volta à realidade, o orçamento alviverde para 2017 recuou à casa dos R$ 389 milhões.

De qualquer maneira, a venda do lateral por valores muito inferiores ao que se imaginava, além de recheada de lamentações, vem circundada por informações questionáveis e por um retrato do tamanho da histórica incapacidade flamenguista nesta seara.

Pra início de conversa, não se trata da “maior venda da história do Flamengo”, ao menos não sob o ponto de vista europeu – para quem um euro quase sempre valeu um euro. Em julho de 2008, o Fla vendeu o meia Renato Augusto por €10 milhões, o que hoje equivaleria a R$ 34 milhões, mas à época representavam R$ 25 milhões. Os tais R$ 15 milhões propalados pela mídia representam os 60% a que o clube tinha direito na transação, pouco abaixo do verificado agora com Jorge. Sendo assim, sob a ótica do mercado do futebol, Renato Augusto valia €10 milhões em 2008, Jorge vale €8,8 milhões em 2017. Não é preciso dizer que a “melhor venda” de agora se trata de mera questão de taxa de câmbio, sem a devida correção inflacionária.

Mas e pela ótica interna? Expostos a uma inflação galopante, por aqui definitivamente não podemos dizer que um real vale sempre um real. Decidimos, então, comparar o Flamengo a alguns dos melhores vendedores de atletas do futebol brasileiro, Grêmio e Internacional, corrigindo valores históricos pelo IGP-M. O autor do levantamento foi Alexandre Perin, do Blog Almanaque Esportivo, a quem agradecemos a gentileza pela disponibilização:

INTERNACIONAL:

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GRÊMIO:

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PS: Para a venda de Jorge, foi considerado o valor de €8,8 milhões e a taxa de câmbio de €1 = R$ 3,405036. Caso outros valores divulgados na mídia sejam considerados, a posição no ranking muda.

Temos que a venda de Jorge figuraria apenas na 15ª posição do ranking de melhores negócios da história do Internacional, 12º na comparação com o Grêmio. Há que se considerar, naturalmente, que a posição de lateral não é das mais usuais nesta lista – apenas Mário Fernandes, do Grêmio, aparece à frente da cria da Gávea. De qualquer maneira, dada a idade e a técnica do rubro-negro, era de se esperar algo que envolvesse montantes superiores. Para o bem das próprias finanças do Flamengo, em seu resgate da credibilidade frente ao mercado internacional.

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Carabao: quem é, o que pretende, aonde quer chegar

Fla Carabao

No final do ano passado, veio a informação de que a Carabao Energy Drink – até então desconhecida fabricante tailandesa de bebidas energéticas – patrocinaria o Flamengo com valores e termos inéditos em se tratando do mercado brasileiro. Durante a temporada de 2017 serão R$ 15 milhões anuais pela exploração das mangas do uniforme rubro-negro, passando a R$ 35 milhões a partir de 2018, quando a empresa assumirá o peito e a condição de principal patrocinadora do clube até 2022.

Como não deixaria de ser em se tratando dos flamenguistas, formou-se um tsunami de euforia, otimismo e curiosidade. Torcedores tomaram a web em memes exaltando a Carabao em detrimento de suas principais concorrentes. Gerou-se enorme desejo de consumo no tocante a um produto que ainda sequer aportou no mercado – e sobre o qual, portanto, se desconhecem preços e qualidade. Criou-se uma quase umbilical relação baseada na piada do “nem te conheço e já te considero”. Tudo por uma companhia que só criou perfil oficial no Facebook do Brasil dia 30 de dezembro – concomitante ao anúncio da parceria com o Fla.

Brincadeiras e exageros à parte, é mais do que pertinente questionar não apenas quem é, mas o que pretende e aonde quer chegar a Carabao.

Pra início de conversa, estaríamos diante de alguma aventureira? A princípio, não. Segundo matéria do Meio & Mensagem – de onde foram extraídas algumas das informações aqui processadas – a Carabao é uma empresa fundada em 2002, com maior presença na Ásia e detentora de 17% do market share de energéticos na Tailândia. Com processo de internacionalização iniciado em 2004, o Flamengo não é o maior investimento esportivo da mesma: para a temporada 2017/2018, o conglomerado adquiriu os naming rights da Copa da Liga Inglesa por aproximadamente US$ 12,2 milhões (R$ 38,6 milhões); o patrocínio do uniforme de treino do Chelsea por 10 milhões de libras anuais (R$ 39 milhões); e a condição de patrocinador principal do Reading FC, da segunda divisão da Inglaterra, dispendendo a bagatela de US$ 37 milhões (R$ 117,2 milhões) por temporada.

A grande questão é o tamanho da Carabao em face do volume de seus investimentos. Estima-se que a companhia tenha fechado 2015 com receita próxima aos US$ 225 milhões. Isto faria com que apenas os aportes futuros a EFL Cup, Chelsea, Reading e Flamengo – que somarão cerca de US$ 65 milhões em 2017 – representem mais de um quarto de tudo o que a empresa vem faturando. Fica difícil não comparar tamanha agressividade a um all in por parte da Carabao, algo um tanto preocupante caso ela não atinja suas metas. Bom lembrar que, além dos valores envolvidos, o contrato firmado com o Flamengo foi também exaltado justamente por seu prazo de seis anos, o mais longo entre os principais anunciantes do futebol tupiniquim.

E quais seriam, afinal, as tais metas da Carabao? Uma dica surgiu em matéria publicada pelo Mundo Rubro Negro, quando foi revelado que o contrato dos tailandeses com o Flamengo presume pagamento de R$ 10 milhões adicionais caso ultrapassem a marca das 70 milhões de latinhas vendidas. O bônus iria a incríveis R$ 80 milhões caso a Carabao venha a se tornar líder de mercado durante a vigência do contrato com o clube carioca.

Parece ousado, quase insano, talvez porque realmente seja. Segundo material extraído do portal da revista Exame, em junho de 2016, o mercado brasileiro de bebidas energéticas fechou 2015 com consumo total de 390 milhões de latas e viés de alta próximo aos 15% anuais. Mantida a expectativa, significa que em 2017 serão comercializadas cerca de 515 milhões de unidades. Assim, as 70 milhões de latas necessárias para o Flamengo acionar seu primeiro bônus (de R$ 10 milhões) tornariam a Carabao detentora de 13,6% do mercado – quase o que ela detém em seu próprio país.

Atingida a primeira meta, teríamos os tailandeses na segunda posição no ranking de market share nacional, pois assim seria a estrutura do mercado brasileiro de bebidas energéticas em 2015: Red Bull (43%), Ambev e Coca-Cola (10%), Grupo Petrópolis (8%), Globalbev (5%), Monster (4%), outros (20%). Ou seja, para acionar o segundo bônus (de R$ 80 milhões), a Carabao precisaria ultrapassar a inacreditável barreira das 222 milhões de latas vendidas.

Há uma semana, a página do jornal Extra trouxe ainda mais luz sobre o plano de metas da fabricante asiática. Segundo a publicação, uma das cláusulas do contrato determinaria a venda de 37 milhões de latas até o dia 30 de setembro de 2018, ultrapassando as 40 milhões de 2019 em diante. Tudo sob pena de rompimento de contrato, caso as projeções não sejam atingidas. Nossos cálculos do parágrafo anterior – que tem como base o ano de 2017 – indicam que a Carabao rescindiria seu acordo com o Flamengo caso não atinja 7% do market share no Brasil.

Em se tratando de um mercado tão pulverizado e competitivo, estaríamos praticamente diante de um devaneio. Primeiro porque estima-se que existam mais de cem marcas de energético por aqui. E em segundo lugar, para atingir seus “meros” 8% de market share atuais, o energético TNT, do Grupo Petrópolis, ocupa nada menos que a condição de patrocinador oficial da Scuderia Ferrari de Fórmula-1 há alguns anos. Nem é preciso discorrer a respeito do volume de investimentos da Red Bull no próprio automobilismo, na TV, futebol e em esportes radicais globalmente.

Diante do exposto, temos que a Carabao surge aparentando ser uma empresa jovem, audaciosa e possivelmente bastante alavancada. O que colherá no futuro depende, sobremaneira, do sucesso de suas empreitadas no universo esportivo inglês e brasileiro. Por aqui, e até o momento, seu único representante seria o Clube de Regatas do Flamengo. Nele residiria a esperança de visibilidade oferecida pela instituição, bem como o consumo potencial de sua enorme torcida. Ainda assim, fica difícil acreditar que metas traçadas para cachorros tão grandes sejam facilmente atingidas por touros ainda tão pequenos.

Um grande abraço e saudações!

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As maiores rendas da história – versão final 2016

Terminada outra temporada, vamos à tradicional atualização das maiores rendas da história do futebol brasileiro. A maioria das novidades envolve partidas da Seleção válidas pelas Eliminatórias da Copa de 2018. 

RANKING EM JOGOS ENTRE CLUBES

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

3) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso;

4) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

5) São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional-COL – Morumbi (SP) – 06/07/2016 – Público: 61.766 – Renda: R$ 7.526.480,00 – Semifinal Libertadores 2016;

6) Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501  – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

7) Atlético-MG 4 x 3 Lanús-ARG – Mineirão (MG) – 23/07/2014 – Público: 54.786 – Renda: R$  5.732.930,00 – Recopa 2014;

8 ) Palmeiras 2 x 1 Santos – Allianz Parque (SP) – 02/12/205 – Público: 39.660 – Renda: R$ 5.336.631,25 – Final Copa do Brasil 2015;

9) Cruzeiro 3 x 0 Grêmio – Mineirão (MG) – 10/11/2013 – Público: 56.864 – Renda: R$ 5.231.711,00 – Brasileirão 2013;

10) Grêmio 1 x 1 Atlético-MG – Arena do Grêmio (RS) – 07/12/2016 – Público: 55.337 – Renda: R$ 5.105.964,00 – Final Copa do Brasil 2016

Obs1: Partidas recém incluídas no ranking aparecem em negrito.

Obs2.: Os valores expressam a renda bruta de partidas na história recente do nosso futebol, não sendo corrigidos pela inflação. O objetivo deste levantamento é justamente a comparação intertemporal de valores, evidenciando a majoração dos preços ao longo dos anos 

Apenas uma partida adentrou a lista, justamente ocupando a décima e última colocação: o segundo jogo da final da Copa do Brasil, que consagrou o Grêmio como maior campeão do torneio. Agora, futuras postulantes precisam ultrapassar a marca dos R$ 5 milhões em bilheteria. Temos ainda dois jogos do Grêmio no ranking, sendo excluído um do Palmeiras, válido pela inauguração do Allianz Parque.

Em jogos do Brasil, incríveis novidades:

RANKING EM JOGOS DA SELEÇÃO

1) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018

2) Brasil 1 × 0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$8.693.940,00 –Amistoso

3) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

4) Brasil 3 x 0 França – Arena do Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

5) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso;

6)  Brasil 0 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 18/06/2008 – Público: 52.527 – Renda: 6.605.255,00 – Eliminatórias Copa 2010;

7) Brasil 2 x 1 Colômbia – Arena da Amazônia (AM) – 06/09/2016 – Público: 36.609 – Renda: R$ 5.840.500,50 – Eliminatórias Copa 2018

8 ) Brasil 2 x 2 Uruguai – Arena Pernambuco (PE) – 25/03/2016 – Público: 43.898 – Renda: R$ 4.961.890,00 – Eliminatórias Copa 2018;

9)  Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 – Renda : R$ 4.357.705,00 – Amistoso;

10)  Brasil 4 x 2 Chile – Pituaçu (BA) – 09/09/2009 – Público: 30.370 – Renda: R$ 4.350.425,00 – Eliminatórias Copa 2010;

Em 2016, vivenciamos nada menos que a maior renda da história de uma partida da Seleção Brasileira. Ela aconteceu em altíssimo estilo, na goleada sobre a Argentina, ocorrida no Mineirão. Trata-se do segundo Brasil x Argentina em solo belorizontino a integrar o ranking de maiores rendas. A vitória sobre a Colômbia, transcorrida da Arena Amazônia, também serviu para colocar a região norte do país no mapa. E por muito pouco uma outra goleada – 5 x 0 sobre a Bolívia, na Arena das Dunas – também não integrou a lista, mas a renda de R$ 4.307.145,00 bateu na trave. É cada vez menor o número de pertencentes ao ranking anteriores à “era das arenas” (a partir de 2013).

No agregado:

RANKING AGREGADO (SELEÇÃO + CLUBES)

1) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda: R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013;

2) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018;

3) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013;

4) Brasil 1 × 0 Sérvia – Morumbi (SP) – 6/6/2014 – Público: 63.280 – Renda: R$ 8.693.940,00 – Amistoso

5)  Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso;

6) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso;

7) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014;

8 ) São Paulo 0 x 2 Atlético Nacional-COL – Morumbi (SP) – 06/07/2016 – Público: 61.766 – Renda: R$ 7.526.480,00 – Semifinal Libertadores 2016;

9)  Santos 0 x 0 Flamengo – Mané Garrincha (DF) – 26/05/2013 – Público: 63.501 – Renda: R$ 6.948.710,00 – Brasileirão 2013;

10)   Brasil 3 x 0 França – Arena do Grêmio (RS) – 09/06/2013 – Público: 51.643 – Renda: 6.833.515,00 – Amistoso;

Apenas o jogo do Mineirão entrou para este ranqueamento, fazendo do estádio Governador Magalhães Pinto líder e vice-líder na estatística. Quanto aos preços médios:

MAIORES TICKETS MÉDIOS DA HISTÓRIA

1) Atlético-MG 2 x 0 Cruzeiro – Independência (MG) – 12/11/2014 – Público: 18.578 – Renda: R$ 4.741.300,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 255

2) Atlético-MG 2 x 0 Olímpia-PAR – Mineirão (MG) – 24/07/2013 – Público: 56.557 – Renda:  R$ 14.176.146,00 – Final Libertadores 2013 – Ticket: R$ 250; 

3) Brasil 3 x 0 Argentina – Mineirão (MG) – 10/11/2016 – Público: 53.490 – Renda: R$ 12.726.250,00 – Eliminatórias Copa 2018 – Ticket: R$ 238;

4) Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG – Mineirão (MG) –26/11/2014 – Público: 39.786 – Renda: R$ 7.855.510,00 – Final Copa do Brasil 2014 – Ticket: R$ 197

5) Brasil 2 x 0 México – Allianz Parque (SP) – 07/06/2015 – Público: 34.659 – Renda: R$ 6.737.030,00 – Amistoso – Ticket: R$ 194;

6) Grêmio 2 x 1 Hamburgo-ALE – Arena do Grêmio (RS) – 08/12/2012 – Público: 46.969 – Renda: R$ 8.599.614,00 – Amistoso de inauguração – Ticket: R$ 183

7) Flamengo 2 x 0 Atlético-PR – Maracanã (RJ) – 27/11/2013 – Público: 57.991 – Renda: R$ 9.733.785,00 – Final Copa do Brasil 2013 – Ticket: R$ 167;

8 ) Brasil 2 x 1 Colômbia – Arena da Amazônia (AM) – 06/09/2016 – Público: 36.609 – Renda: R$ 5.840.500,50 – Eliminatórias Copa 2018 – Ticket: R$ 159;

9) Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã (RJ) – 02/06/2013 – Público: 57.280 – Renda: R$ 8.615.730,00 – Amistoso – Ticket: R$ 150;

10) Brasil 1 x 0 Romênia – Pacaembu (SP) – 07/06/2011 – Público: 30.059 Renda: R$ 4.357.705,00 – Amistoso–Ticket: R$ 145;

Pertence a Belo Horizonte as quatro primeiras colocações, denotando espantoso poder aquisitivo associado à brutal propensão ao consumo de futebol por parte da cidade mineira. Verdadeiramente, a capital econômica das bilheterias.

Um grande abraço e saudações!

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Tudo sobre audiências – parte 4: as maiores audiências RJ e SP 2016

Há alguns meses o Blog Teoria dos Jogos iniciou uma série de análises relacionadas às audiências televisivas do futebol brasileiro, assim dividida:

Parte 1: O catapultar dos números em clássicos

Parte 2: Os campeões de audiência 2015

Parte 3: As audiências da Band

Parte 4: As maiores audiências RJ e SP 2016

Parte 5: Audiências em queda: verdade ou mentira?

Após um breve intervalo, que incluiu uma pausa para os Jogos Olímpicos – período profissionalmente muito atribulado – decidimos retomar às análises desde seu tópico 4, dada a saída da TV Bandeirantes das transmissões futebolísticas em torneios nacionais. Devidamente incentivado e “provocado”, importante dizer, pelo amigo Fábio Sormani, da Fox Sports, a quem estas tabelas são dedicadas.

As audiências do futebol em 2016 dividem-se entre as praças do Rio de Janeiro e de São Paulo – únicas divulgadas pela TV Globo semanalmente. Dividem-se ainda entre os principais torneios do ano: Campeonatos Estaduais, Copas (Libertadores, do Brasil e Sul Americana) e Brasileirão. Por fim, os números são separados por dia da semana e pela natureza dos jogos (clássicos ou não), dada a primazia de audiências verificadas às quartas feiras ou em confrontos entre times grandes.

Lembrando que: 1) Cada ponto de audiência equivale a 69 mil domicílios em São Paulo e 43 mil no Rio, enquanto o share significa o percentual de televisores ligados naquele canal; 2) Todos os números se referem apenas à audiência em TV aberta da Globo, menos para os Estaduais, que representam a soma Globo + Band, pois neles ainda havia o compartilhamento dos direitos televisivos; 3) As estatísticas contidas nesta coluna não contemplam a rodada do último fim de semana (24 e 25/9) no Brasileirão.

CAMPEONATOS ESTADUAIS

Pode-se dizer que os campeonatos estaduais são aqueles em que as audiências mais estão expostas a “causas perturbadoras” a lhes enviesarem. Isto porque se tratam de torneios de tiro curto com alto índice de clássicos transmitidos. Assim, clubes com menos torcida tendem a aparecer em poucos jogos, primariamente em clássicos – onde as audiências são naturalmente mais altas. Assim, muitas estatísticas acabam por se insuflar de maneira irreal. Outro benefício que precisa ser relativizado acomete àqueles que chegam à final do campeonato, geralmente um oásis de bons números em meio a um marasmo de audiências regulares.

Dito isto, vamos às análises:

RIO DE JANEIRO

fig-01
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Embora o clube mais televisionado durante o Campeonato Carioca tenha sido o Vasco (nove jogos), foram os sete do Flamengo que apresentaram os melhores números do torneio. Na média final, o Rubro Negro teve um audiência de 27,1 pontos com 49%, contra 25,1 (48%) dos cruzmaltinos, 24,2 (47%) do Botafogo e 22,2 (42%) do Fluminense. Percebam a discrepância entre Flu e Bota pelo fato do alvinegro ter ido à final, catapultando seus números. No campeonato como um todo, ambos tiveram cinco jogos transmitidos.

Quando separamos a análise por dia de semana (DDS) e fim de semana (FDS), chegamos a algumas outras conclusões. Apesar do Vasco ter tido nove jogos na telinha, apenas um se deu nos dias de audiência mais alta, a quarta-feira. E não foi um jogo qualquer, mas um Flamengo x Vasco pela fase de grupos da Taça Guanabara, que explodiu como poucas vezes: 37 pontos de audiência com 57% de participação. De qualquer maneira, o time da Colina passou nada menos que oito vezes aos domingos, desproporção não atingida por nenhum de seus rivais.

Sob outro ponto de vista, separamos clássicos de jogos contra times pequenos – o que também faz uma diferença brutal. Aí os beneficiados são outros:

fig-02
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Dos nove jogos vascaínos na TV, nada menos que seis foram clássicos – sendo dois pelas finais, diante do Botafogo. Até por ser um dos finalistas, o clube da Estrela Solitária se viu bastante inflado, já que quatro de suas cinco transmissões se deram em clássicos. Por outro lado, o Flamengo e principalmente o Fluminense tiveram maior número de jogos contra times pequenos, elemento de evidente impacto negativo. De qualquer maneira, as audiências do Flamengo superaram as dos rivais sob todos os aspectos: 30 pontos (55%) em clássicos e 23,3 (42%) contra pequenos. Neste último caso, os números do Mengão foram 19% superiores aos do Tricolor, segundo colocado – uma enormidade em se tratando destas informações.

SÃO PAULO

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Se no Rio o mais transmitido foi o campeão estadual, São Paulo viveu situação antagônica. O Santos, campeão paulista, tive míseros três jogos na TV – sendo dois na final, contra o Audax. O outro, como veremos adiante, foi um clássico. O resultado foram números artificialmente superiores aos de todos os demais: 25,6 pontos e 47% de share. No outro extremo está o Corinthians, com seus oito jogos na TV. Com eles, marcou 24,5 pontos médios e 45%. O São Paulo teve cinco jogos, 22,2 pontos e 42% em média. O Palmeiras, quatro jogos, 24,5 pontos e 46%.

A análise por dia da semana em Sampa diz menos do que no Rio, já que muitos paulistas jogavam a Libertadores enquanto a Globo Rio veiculava seus times no Carioca. Sendo assim, apenas Corinthians (duas vezes) e São Paulo (uma) apareceram na telinha às quartas. Já a análise que separa clássicos de jogos contra pequenos é bem mais reveladora:

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Antes, é importante dizer que o Paulistão deste ano teve, excepcionalmente, um número de clássicos transmitidos menor do que no Rio. Seu campeão de exposição foi o Corinthians, com três jogos, 28,3 pontos e 51%. Os números dos outros podem parecer iguais (São Paulo, 28 pontos) ou maiores (Palmeiras, 29 pontos), mas existe um porém: 75% dos clássicos transmitidos (três de quatro) foram contra o time de Itaquera, ou seja, é exatamente o Corinthians quem ajuda a inflar os rivais. Já o Santos, tendo confrontado duas vezes um pequeno em plena final, nadou de braçada neste recorte.

COPAS

Eis uma estatística muito mais simples de ser analisada: copas só são jogadas às quartas, tornando desnecessária a separação por dia. Também são raros os clássicos nestas circunstâncias – este ano, por exemplo, não aconteceu nenhum. Ou seja, a única coisa a ser considerada aqui é o peso do torneio.

RIO DE JANEIRO

Nenhum time da Cidade Maravilhosa jogou a Libertadores 2016. Sendo assim, a maioria das análises se refere à Copa do Brasil, com exceção dos três últimos jogos do Flamengo, válidos pelas fases intermediárias da Sul Americana:

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Isso mesmo: foram sete jogos rubro-negros, com audiências 22% superiores às do Vasco (26,3 a 21,6 pontos). Cinco jogos vascaínos e três tricolores (20,3 pontos, em média). E nenhum. Nenhum joguinho do Botafogo para contar história…

SÃO PAULO

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Na Terra da Garoa houve maior equilíbrio entre o líder Corinthians (nove jogos, 26,1 pontos com 40%) e o segundo colocado, São Paulo (oito jogos, 25,5 pontos com 39%). Parte da explicação recai sobre o fato de o Tricolor ter chegado às semifinais da Libertadores, enquanto o Corinthians parou nas oitavas. Assim como o Botafogo, o Palmeiras simplesmente não apareceu na TV nestes torneios. Já o Santos, uma única vez: contra o Gama, pela Copa do Brasil (18 pontos).

BRASILEIRÃO

RIO DE JANEIRO

As transmissões do Brasileirão retomam a necessidade de separação segundo o dia da semana. Contudo, no Rio não se faz necessário repartir clássicos e jogos regulares, uma vez que apenas um foi veiculado na cidade: Fluminense x Botafogo, num domingo de inexpressivos 20 pontos com 38%.

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Na ausência do Vasco (que joga a Série B), o grande beneficiado foi o Fluminense que, este ano, apareceu tantas vezes quanto o Flamengo (11 cada). Os dois tiveram igualdade também no perfil das transmissões: quatro em dias de semana, sete em fins de semana. Assim, a comparação entre ambos pode se dar sob bases equânimes.

Em boa dose por conta da fantástica audiência do jogo contra o Palmeiras, o Rubro Negro atropela o Tricolor sob a ótica das quartas feiras: 30,5 com 47% a 23 com 36% – resultado 33% superior. Nos fins de semana, a superioridade flamenguista cai para a casa dos 19% (23 pontos contra 19,3). Já o Botafogo teve cinco jogos, todos aos finais de semana – esvaziando seus números. No geral, portanto, o Fla marca em média 25,7 pontos com 44%. O Flu, 20,6 com 37%. O Bota, 18 com 35%.

Importante: um jogo do Alvinegro aconteceu sábado, dia de audiências tradicionalmente inferiores.

SÃO PAULO

Diferente do Rio, em São Paulo retomam-se análises não só por dia de semana mas também por clássicos. Isto porque, por lá, já foram veiculados cinco dérbis neste Brasileirão. A começar pela primeira ótica:

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Em Sampa também há empate envolvendo Corinthians e São Paulo, ambos com 11 partidas televisionadas. E o perfil é quase o mesmo: Timão quatro vezes às quartas, sete aos fins de semana. Soberano, três às quartas, oito aos domingos. Em compensação, o Corinthians se apresentou num sábado. Sendo assim, em analogia à dupla Fla-Flu no Brasileirão, pode-se considerar justa a comparação direta entre Corinthians e São Paulo.

Às quartas, o Corinthians vence o São Paulo por apertados 25,5 a 24,3 (mesmo share: 40%). Aos fins de semana, um pouco mais de folga: 22,6 (com 43%) para um, 20,1 (com 37%) para outro. Só que em termos gerais, Corinthians (23,6 com 42%), São Paulo (21,3 com 38%) e Santos (23 com 44% em dois jogos) perdem para o Palmeiras (24,1 com 41%). Por quê?

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A explicação reside aqui. Entre as agremiações com mais televisionamentos, o maior percentual de clássicos pertence ao Palmeiras (três de sete). O São Paulo fez três clássicos diluídos num universo de 11 transmissões. O Corinthians, apenas dois em 11. Nas partidas regulares, onde as audiências vem sem tanta facilidade, os 22,9 pontos do Corinthians em nove jogos superam os 22 pontos em 4 jogos do Verdão. Aqui, o Santos é novamente um ponto fora da curva: dois jogos, dois clássicos.

COMPARAÇÕES INTERNAS

No Rio, resta claro que, sob qualquer aspecto, o Flamengo apresenta audiências muito superiores às de seus rivais. Inclusive, pode-se dizer que em condições normais de temperatura e pressão, Vasco, Fluminense e Botafogo se equivalem – com certa vantagem cruzmaltina.

Já em São Paulo, há maior equilíbrio entre o líder Corinthians e o São Paulo – ainda que não se discuta a supremacia do primeiro. Palmeiras e Santos, alguns passos abaixo, se veem tão relegados que geralmente aparecem apenas em clássicos ou jogos decisivos. Seria importante vê-los em mais partidas regulares, proporcionando uma melhor base de comparação. De qualquer maneira, em anos anteriores a dupla já apresentou alguns índices bem fracos.

Aqui, uma questão particular que explica meu grande ponto de discordância com relação ao Sormani. Eu considero que diferenças de alguns pontos de audiência (e share) justificam as diferenças nas cotas de televisionamento, tendo em vista que um mercado tão competitivo quanto o da TV aberta precifica cada ponto marginal em muitos milhões. Sormani tem outro ponto de vista, entendendo injustificáveis as diferenças, por pequenas que seriam.

Não há certo ou errado neste debate, apenas interpretações.

COMPARAÇÃO RIO X SÃO PAULO

Nem todo ano é assim, mas em 2016, o rei das audiências no Rio (Flamengo) supera o preferido de São Paulo (Corinthians) sob todos os recortes – incluindo Copas em que os Paulistas disputaram a Libertadores. O que faz retornarmos ao que é sempre dito: o Rubro Negro se beneficia de audiências maiores e nacionalmente mais dispersas. O Alvinegro, da supremacia nos principais mercados – que não se resumem ao seu berço, já que Paraná ou Rio Grande do Sul muitas vezes alinham com a Globo São Paulo. Por isso, é importante analisar o quantitativo médio de praças alinhando com a transmissão de cada um deles. Assunto para outra coluna…

Um grande abraço e saudações!

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A fábula de um rubro-negro paulistano

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Novamente na manhã de ontem, a torcida do Flamengo deu enorme demonstração de força em praças externas – desta vez, uma nem sequer inédita. Pela segunda vez em 2016, os flamenguistas encheram o Pacaembu, em São Paulo, vencendo o Figueirense por 2 x 0 e mantendo a perseguição ao líder Palmeiras. Ainda que o sucesso comercial das incursões à cidade justifiquem-nas plenamente, a verdade é que ainda há quem desconheça e estranhe as verdadeiras intenções do Rubro Negro em terras bandeirantes. Para compreendê-las, um breve retrospecto histórico se faz necessário.

Ao contrário do senso comum, não foi a Rede Globo na década de 80, nem as ondas do rádio em meados de 1960. Naturalmente, estes meios ajudaram muito a propagá-lo, tornando-o ainda maior. Mas a fama de “maior torcida do Brasil” atribuída ao Fla vem desde algumas décadas antes. Decerto iniciada pela importantíssima condição de capital federal, ocupada pelo Rio até abril de 1960. Isto fazia da cidade um polo exportador de tendências, influenciando culturalmente todo o resto do país. Fazia também despejar sobre as demais seu poderio econômico, já que até a década de 50 era o Rio – e não São Paulo – a maior e mais rica cidade do Brasil.

A perda deste status trouxe ao Rio uma lenta e gradual desimportância. Mas se culturalmente a Cidade Maravilhosa segue como referência, em termos econômicos ela definitivamente se viu destronada pelo colosso paulistano. Hoje 85% maior (população) e 101% mais rico (PIB), é o município de São Paulo quem dita as regras em áreas-chave como mercado financeiro, publicidade e mídia. Bem aí, nossa reconstituição volta a se cruzar com escopo inicial do texto.

Iniciadas as primeiras conversas que levaram à criação da “Só Fla” – e consequentemente à eleição dos executivos capitaneados por Eduardo Bandeira de Mello – uma parcela delas se deu em São Paulo. Trata-se de um testemunho ocular deste blogueiro, paulistano de residência e integrante original da associação. Como é sabido, alguns dos componentes da antiga “Chapa Azul” eram altos executivos de empresas sediadas em São Paulo – desde operadoras de TV por assinatura a meios de pagamento. Outros, ainda que situados no Rio de Janeiro, eram banqueiros e operadores do mercado financeiro.

O ingrediente que deu liga à mistura foi a compreensão, por parte destes profissionais, da desimportância acometida sobre o Flamengo ao longo de quase 20 anos de vexames esportivos e administrativos. Outrora referência, o clube se tornou motivo de chacota. Sinônimo de tudo de pior que um profissional – fosse ele dirigente ou atleta – poderia almejar. Em direção oposta, catapultados pelo potencial de rendas e por uma mídia cada vez mais influente e (questionavelmente) combativa, os clubes de São Paulo trilharam outro caminho. O Flamengo ficou para trás.

Mas como toda fábula tende para um final feliz, ao longo dos últimos quatro anos este processo não só estancou, como iniciou reversão. Ainda assim, num contexto em que nem tudo é reversível: o Flamengo só pode modificar o inerente a si: gestão e resultados. Não mudará o fato de o dinheiro circular muito mais em São Paulo do que no Rio. Nem o maior interesse de Band, Record, RedeTV ou UOL sobre os clubes do mercado que lhes paga as contas. Por isto, o reconhecimento: se não pode vencê-los, o Flamengo deve juntar-se a eles.

Maioral em torcida, o Rubro Negro é relevante em todo Brasil, menos no estado do Rio Grande do Sul – palavra do Blog Teoria dos Jogos, especializado no tema. Só que em São Paulo, o Fla se beneficia mais de um vultoso quantitativo absoluto do que percentual, respondendo por 2,5% dos torcedores da cidade. Por que não cativá-los, portanto? Atrair a juventude, tentar fidelizá-la? Junte-se a isso a promessa de retomada da antiga preponderância, brigando por títulos e vencendo de maneira incontestável. Como ontem, em pleno solo paulistano. Eis a receita do banquete vislumbrado.

Nada disto tem relação com “querer ser paulista” ou dar as costas à sua verdadeira identidade – mais nacional do que carioca. Tem tudo a ver com negócios e estratégia. Com a busca por novos mercados e maior exposição. Desde que sem megalomanias, com pragmatismo e os dois pés no chão, faz o Flamengo muito bem. Ele não se tornará nativo: sob a ótica dos que aqui residem, há quatro times mais importantes. Mas num trabalho de longo prazo, pode, sim, flertar com a cidade e o estado. Visitá-los mais vezes. Cortejá-los, atraindo toda a sua simpatia – o que para alguns é quase amor.

Os holofotes virão natural e consequentemente.

PS: Como torcedor não vive de razão, mas de paixão, parece uma boa ideia incentivar – desde que de comum acordo entre as diretorias – uma “invasão” bem maior do que a de 2008 ao Morumbi, daqui a duas rodadas. O anfitrião, em má fase e com poucas pretensões, certamente não se oporia à possibilidade explorar a capacidade ociosa de seu imenso estádio. Para o Fla, o ganho intangível de perpetuar no imaginário coletivo algo que pode perdurar por décadas. Que o digam os corintianos.

Um grande abraço e saudações!

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