Arquivo da tag: Internacional

Os números da Visita Colorada (atualização do ranking)

Fig 01

Na semana passada, o Blog Teoria dos Jogos publicou um inédito levantamento contendo o número de torcedores recebidos pelos maiores clubes do país em seus projetos de visitação guiada (estádios, centros de treinamentos, museus ou salas de troféus). A lista trazia no topo a Arena do Grêmio, cujos visitantes bateram 50 mil ao longo do ano de 2015. Após inúmeras tentativas, não foi possível obter informações relativas a Internacional, São Paulo e Santos. Contudo, após a publicação do texto, fomos contactados por Rafael Oliveira, responsável pelo projeto Visita Colorada, disposto a nos revelar as estatísticas relacionadas à metade vermelha do Rio Grande do Sul.

Importante ressaltar que, segundo Oliveira, tais dados em breve estarão publicados no Portal da Transparência do Internacional – uma presunção de legitimidade, dado o envio apenas posterior. O diretor explicou ainda a distinção entre a Visita Colorada e o Museu do Inter: o segundo funcionaria como uma versão reduzida da primeira, oferecendo visão aérea dos camarotes e acesso ao gramado para fotos. Já a Visita Colorada daria acesso a todas as áreas internas, vestiários, áreas de competição, salas de imprensa, gramado, etc. O pacote completo ocorre apenas através do combo Visita + Museu, com os associados usufruindo de gratuidades em ambos os passeios.

Seguem, portanto, os números:

Janeiro:

Visita Colorada: 6.104

Museu do Inter: 3.752

Total: 9.856

 

Fevereiro:

Visita Colorada: 3.888

Museu do Inter: 1.717

Total: 5.605

 

Março:

Visita Colorada: 3.643

Museu do Inter: 1.882

Total: 5.525

 

Abril:

Visita Colorada: 2.770

Museu do Inter: 1.963

Total: 4.733

 

Maio:

Visita Colorada: 4.455

Museu do Inter: 3.767

Total: 8.222

 

Junho:

Visita Colorada: 3893

Museu do Inter: 2227

Total: 6.120

 

Julho:

Visita Colorada: 5.625

Museu do Inter: 2.964

Total: 8.589

 

Agosto:

Visita Colorada: 4.134

Museu do Inter: 1.877

Total: 6.011

 

Setembro:

Visita Colorada: 3.206

Museu do Inter: 1.149

Total: 4.355

 

Outubro:

Visita Colorada: 3.821

Museu do Inter: 2.449

Total: 6.270

 

Novembro:

Visita Colorada: 5.903

Museu do Inter: 2.400

Total: 8.303

 

Dezembro:

Visita Colorada: 5.386

Museu do Inter: 2.173

Total: 7.559

 

Total: 81.148

 

Diante destes números, o ranking das visitações em 2015 tem um novo líder: o Internacional. Durante visita do Blog Teoria dos Jogos às instalações coloradas, em agosto passado, pudemos ter uma pequena noção do apelo do projeto, dados os torcedores que procediam a Visita Colorada. Ao Blog, dirigentes confidenciaram que o grande diferencial com relação ao Grêmio residiria na localização do Estádio Beira Rio.

Uma segunda retificação quanto ao texto da semana passada também se faz necessária: ao contrário do publicado, o quantitativo a visitar o estádio do Maracanã (50 mil) não seria anual, mas sim mensal. Números que fazem do Mário Filho, por larga margem, o estádio mais contemplado do Brasil – ultrapassando a barreira dos 600 mil visitantes por temporada.

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Análise : O Mapa das Curtidas – SC e PR

Prosseguindo a série de análises com relação ao “Mapa das Curtidas do Facebook” – uma parceria da rede social com o Globoesporte.com – é a vez de subirmos um pouco. Após detalhar o nada diversificado perfil das preferências no Rio Grande do Sul, é a vez de nos atermos aos estados de torcida mais plural do Brasil: Santa Catarina e Paraná.

Em nosso país, uma das principais características das preferências clubísticas é a dicotomia entre capital e interior. Com exceção de Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul – além de estados do Norte e Nordeste dominados por forasteiros – são muitos os exemplos de rivalidades entre torcidas que perdem força à medida com que se afastam de suas zonas de influência. Neste sentido, três lugares chamam atenção: Por ordem de “pluralidade”, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Os dois primeiros podem ser vistos na imagem abaixo:

Fig 01

Uma característica comum entre ambos é o predomínio de times da capital num limitado perímetro que vai pouco além da região metropolitana. A região central é dominada por paulistas no Paraná (Flamengo depois) e Flamengo em Santa Catarina (paulistas e Vasco em seguida). Já o oeste catarinense e paranaense são de predomínio gaúcho, com supremacia de Grêmio e Internacional.

Mas o perfil de Santa Catarina vai além, muito pela quantidade e força dos times locais. Começando pelos do interior:

Fig 02

Para surpresa geral, a Chapecoense é, de longe, o clube com difusão mais avançada de Santa Catarina. Mesmo que o “Mapa” seja focado em redes sociais e potencialize simpatias, a verdade é que a zona de influência do Verdão do Oeste se espalha por uma área pouco comum em se tratando daquele estado. O clube está entre os quatro mais curtidos em nada menos que 246 localidades. Consegue ainda uma proeza quase inimaginável: influenciar pequenos municípios gaúchos limítrofes a Chapecó.

Vote no Blog Teoria dos Jogos no Prêmio Top Blog 2015

Já a difusão dos outros rivais do interior é mais restrita a municípios-sede e entorno, sem se espalharem tanto pela região em si. Ainda que nas cidades-natal, Joinville e Criciúma, superem a Chapecoense em percentual de curtidas (38,6%, 46,6% e 37,3%, respectivamente). O JEC angaria uma das quatro primeiras posições em apenas 12 municípios, enquanto o Tigre o faz em 48.

Fig 03

As coisas não são muito melhores para os times da capital. Inseridos numa grande região de influência flamenguista, Figueirense e Avaí só conseguem leve supremacia na zona de menos de um milhão de habitantes que circunda Florianópolis. Neste raio, a supremacia do Figueira é evidente – confirmando a histórica evidência do “time do continente” que relega a identificação avaiana à pouco populosa ilha. O Figueirense detém preferência em 15 municípios, trazendo o Avaí na segunda posição em 14 deles.

Quanto aos times de fora, eis o mapa de calor:

Fig 04

Fig 05

Trata-se de um perfil bastante semelhante ao da pesquisa científica publicada pelo Blog Teoria dos Jogos ainda em seus tempos de Globoesporte.com. O Flamengo domina a maioria do estado, sendo segundo em cidades corintianas ou gremistas. Fica em terceiro no entorno de Florianópolis, em quarto no extremo sul e em sexto na região oeste, onde o predomínio é do Grêmio e depois do Internacional.

Parte da divisa entre SC e RS verifica notável crescimento do Corinthians – terceiro por ali e segundo nas regiões centrais. O Vasco cresce nas cercanias de Tubarão e Rio do Sul, ficando entre o segundo e o terceiro posto. Já o São Paulo fica em terceiro ou quarto nas regiões norte e central. Palmeiras e Santos surgem com representação residual nos limites com o Paraná.

Fig 06

Perto do estado vizinho, a atmosfera paranaense soa menos difusa, ainda que se trate de um dos representantes da pluralidade anteriormente debatida. Pelo Facebook, o Paraná é uma mancha corintiana, com contornos atleticanos na capital e gremistas no oeste. Esporádicas maiorias flamenguistas finalizam uma pintura que, comparada aos resultados científicos, traria dificuldades na distinção entre original e cópia.

A superioridade do Atlético-PR se dá ao longo do um perímetro maior do que o Coritiba: o Furacão é um dos quatro mais curtidos em 43 municípios, frente aos 28 do Coxa. Sendo que o alviverde não lidera em nenhum, derrotado pelo Corinthians em plena cidade de Curitiba – possível distorção da apuração via rede social. Se é assim com o Coxa, sabido detentor de boa torcida, imaginem com o Paraná Clube? Sua melhor posição é um irrisório 4º lugar em Bocaiúva do Sul.

Fig 07

Fig 08

As verdadeiras donas do Paraná são as torcidas de São Paulo. Como já foi dito, o Corinthians é líder absoluto em todas as regiões onde Atlético-PR ou Grêmio não aprontam. Com vantagem tricolor, São Paulo e Palmeiras vem a reboque – ainda que a quantidade de lugares onde o Palmeiras é vice não seja desprezível, incluindo cidades como Umuarama e Apucarana. Há espaço até para o Santos: segundo em duas cidades (Jardim Alegre e Nova Aurora) e terceiro em outras tantas. Oeste e Sudoeste são divididos por Grêmio e Internacional, finalizando uma zona de influência que só volta a ter relevância em rincões agrários do Centro Oeste. De qualquer maneira, pode-se dizer que em termos de torcidas, o Paraná seria quase um quintal do estado de São Paulo.

Sim, “quase”. Em meio a paulistas, gaúchos e paranaenses, surge a exceção de sempre: o Flamengo. Por lá, o se faz presente como segundo mais curtido em muitos municípios próximos à divisa com Santa Catarina (destaque para Guarapuava e Ponta Grossa). Tem mais: em Rio Negro, Campo do Tenente e Paranaguá (litoral), é o rubro-negro quem dá as cartas, liderando em curtidas. Nada disso em companhia do Vasco: ao contrário do que ocorre em Santa Catarina, cruzmaltinos praticamente inexistem no Paraná.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Análise: o Mapa das Curtidas – RS e times gaúchos

Conforme prometido, o Blog Teoria dos Jogos inicia agora sua análise com relação aos números do “Mapa das Curtidas do Facebook”, iniciativa bem sucedida do Globoesporte.com em parceria com a rede social de maior sucesso no mundo. Com robusta amostragem, o Mapa faz justiça ao verificado em diversas regiões do país. Assim, começaremos pela configuração de torcidas no Rio Grande do Sul e dos times gaúchos – Grêmio e Internacional.

Novamente, é preciso deixar claro que o mapeamento não é uma pesquisa. O enfoque em jovens e pessoas conectadas gera vieses consideráveis – apenas 25% dos usuários do Facebook tem mais de 35 anos, faixa de abrange 41% da população brasileira. No mais, distorções se fazem presentes pelo fato de alguns clubes trabalharem melhor suas mídias sócias, estando “alguns passos” à frente da concorrência.

Vote no Blog Teoria dos Jogos no Prêmio Top Blog 2015

Dito isto, vamos lá:

Fig 01

O aparente massacre gremista foi motivo de festa no lado azul do Rio Grande. Por lá, deu Grêmio em nada menos de 481 dos 497 municípios – meros 16 tiveram maioria colorada. Mas se muitas cidades “vermelhas” são de pequeno porte, o Inter teve consigo o trunfo da maioria em plena Porto Alegre (13% da população gaúcha). Mais: segundo levantamento feito por Alexandre Perin, do site Almanaque Esportivo, o equilíbrio nos 20 municípios mais populosos do estado (48% da população) foi tão grande que fica difícil acreditar como o Grêmio conseguiu primazia em 18 deles. Em muitos casos – como os de Canoas e Alvorada – as diferenças não passavam de um ou dois décimos. No total, gremistas (40,7% das curtidas) e colorados (39,4%) terminam em flagrante equilíbrio.

Fig 02

A conhecida intransponibilidade do Rio Grande do Sul com relação a torcidas forasteiras se faz presente: praticamente nenhum outro clube cria “manchas” no mapa de calor do estado. O que não significa que inexistam. Além do Corinthians – maior torcida estrangeira entre os gaúchos do Facebook – Flamengo e Santos se fazem representados em cidades ou regiões. Corintianos estão presentes na fronteira com Santa Catarina e em Vera Cruz, região central, onde marcam nada menos que 7,2%. Existem flamenguistas no entorno de Bento Gonçalves e Caxias do Sul, além da cidade de Rio Grande, onde são 4,6%. E há um curioso bunker santista na região fronteiriça de Santana do Livramento, onde o Peixe é terceiro colocado com 5,1% dos cliques. Três e meio por cento da torcida de Vera Cruz se disse adepta do Bahia, enquanto 3,1% alinham com o Criciúma no balneário de Torres.

Fig 03

Fig 04

Fig 05

Tanto Grêmio quanto Internacional receberam curtidas em 99,8% dos municípios brasileiros. Tricolores estão entre as quatro maiores torcidas em 14,1% dos municípios, contra 12,4% dos colorados. Das cinquenta cidades que mais os curtem, todas se encontram no Rio Grande do Sul.

Fig 06

Ao contrário de rivalidades que veremos mais adiante, o mapa de calor da dupla GreNal denota que suas torcidas se encontram rigorosamente nos mesmos lugares. Além do estado de origem, gremistas e colorados dominam todas as divisas com Santa Catarina, bem como o oeste paranaense. Em terras catarinenses, a luta é contra a Chapecoense (no oeste) e o Criciúma (no Sul), sempre com forte presença de Corinthians e Flamengo. Já no Paraná, a rivalidade é contra as duas maiores torcidas do Brasil e o São Paulo.

Fora do Sul, Inter e Grêmio surgem fortes em colônias agrícolas espalhadas pelo Centro Oeste. Por serem quase todas pequenas, acabam influindo pouco na configuração de estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Além destes, existe uma improvável colônia na cidade de “Chapada Gaúcha”, em pleno norte de Minas Gerais. Por lá, tricolores angariam 5,7% das curtidas contra 5,3% de colorados.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

A Pesquisa da vez: Distrito Federal (nascidos e imigrantes)

Há cerca de um ano, a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan-DF) terminou um robusto mapeamento sobre o perfil de seus moradores, no âmbito da 3ª PDAD (Pesquisa Distrital por Amostra Domiciliar). Uma das informações presentes era a configuração de torcidas da capital, algo extremamente valioso por conta da escassez de informações do gênero.

À época, o Blog Teoria dos Jogos chegou a publicar algumas parciais. Posteriormente, o mapeamento do Instituto GPP se mostrou mais próximo à realidade, já que a Codeplan-DF parecia concentrar respondentes excessivamente não-consumidores de futebol. De todo modo, os números acabaram parecidos, com a PDAD tendo a vantagem de oferecer cruzamentos inexistente em pesquisas sem o seu escopo.

É o caso do exposto hoje. No dia em que o Flamengo retorna a Brasília em um espetacular Estádio Nacional lotado, apresentamos o perfil das torcidas de capital divididas entre os “nascidos no DF” e os “imigrantes”.

Vote no Blog Teoria dos Jogos no Prêmio Top Blog 2015

Qualquer cidade do Brasil poderia refutar a significância de um levantamento do gênero, pois as grandes ondas migratórias se passaram há décadas. Não é o caso de Brasília. Com uma população estimada em 2,7 milhões de habitantes, a sede do governo federal possui, ainda hoje, 1,4 milhão de pessoas que vieram de outros estados (51% do total). Como se fosse outra Brasília inserida nos limites distritais.

O quadro que denota o perfil das torcidas está exposto a seguir. Explanações posteriores ajudarão a compreendê-lo:

Fig 01
Clique para ampliar

Importante: os números não contemplam o “Nenhum”, ou seja, indicam a configuração entre as torcidas, e não em meio à população total. Razão pela qual todos os percentuais aparecem majorados.

Em meio aos 49% de brasilienses natos (chamados “Naturais do DF”), as maiores torcidas são: Flamengo (52,8%), Vasco (12,2%), São Paulo (7,6%), Corinthians (7%), Botafogo (5,9%), Fluminense (4,8%), Palmeiras (3,8%), Cruzeiro (1,8%) e Santos (1,2%). Atlético-MG, Grêmio e Internacional não atingem 1% da torcida.

Já entre os 51% de imigrantes que integram a sociedade brasiliense, o ordenamento se altera: Flamengo (42,9%), Vasco (12,1%), Corinthians (7,6%), Botafogo e Fluminense (6,3%), São Paulo (5,7%), Palmeiras (4,7%), Cruzeiro (4,6%), Atlético-MG (2,7%), clubes do Norte/Nordeste (1,8%), Santos (1,5%) e Grêmio (1,3%). O Inter fica abaixo de 1%.

Eis um comparativo tão inédito quanto fantástico. O confronto dos dados dá a ideia de como clubes de Minas Gerais, Nordeste e Sul se fazem presentes justamente por conta da existência de populações que deixaram para trás seus estados em busca de uma vida melhor no Planalto Central. E mais: a chegada de imigrantes (especialmente cruzeirenses e atleticanos) se mostra predatória sobre a torcida do Flamengo. Tanto que a maior torcida do Brasil se verifica em escala dez pontos percentuais superior entre brasilienses natos.

Tendo eles relevância, é de suma importância que se isolem os imigrantes, analisando seu perfil de torcidas em separado. As conclusões surpreendem pelas contradições entre a origem dos cidadãos e seus clubes do coração. Possivelmente consequência natural de um processo de inserção às características da sociedade local.

Norte/Nordeste

Os residentes no Distrito Federal oriundos dos estados do Norte/Nordeste são 795,9 mil, representando 56,0% do total de imigrantes. Mas clubes destas regiões atraem a preferência de apenas 2,6% deles. A imensa maioria de nordestinos e nortistas torce para times do Rio (75,6%) – destaque para Flamengo (50,5%) e Vasco (13,4%), seguidos de Botafogo (6,1%) e Fluminense (5,6%). Os imigrantes que apoiam clubes de São Paulo são 19,3%, pontuando Corinthians (7,5%), São Paulo (5,7%) e Palmeiras (4,8%). Mineiros, gaúchos e clubes de outros estados somam 2,5%.

Goiás

Já os nascidos em Goiás somam 184,8 mil e representam 13% dos imigrantes. Mas Goiás, Vila Nova e Atlético-GO atraem meros 3,5% da preferência dos torcedores. A maioria entre os goianos radicados no DF é Flamengo (44,9%), seguida do Vasco (13,0%), Corinthians (7,8%) e Botafogo (7,4%).

Minas Gerais

Um número expressivo de 254,1 mil mineiros se mudou para o DF, o que representa 17,9% do total de imigrantes. É entre eles que temos a maior surpresa: são majoritariamente flamenguistas (27,7%), seguidos de cruzeirenses (22,7%), atleticanos (12,9%) e vascaínos (8,6%). Do universo total de imigrantes – ou seja, somando os de outros estados, Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG totalizam 7,4% das preferências.

Rio de Janeiro

Cariocas e fluminenses estão presentes em Brasília na escala de 4,7% do total – o que representa 66,9 mil imigrantes. Entre eles, lógico, prevalecem flamenguistas (47,4%), seguidos de vascaínos (17,1%), tricolores (15,3%) e botafoguenses (12,4%).

São Paulo

Embora haja apenas 50,8 mil imigrantes paulistas (3,6% do total), seus clubes concentram a predileção de 19,5% do universo total de imigrantes – número apenas inferior ao dos cariocas (67,6%). Entre aqueles que vieram de São Paulo, predominam corintianos (28,3%), são paulinos (20,7%), palmeirenses (12,7%) e santistas (8,9%). Mas acreditem: flamenguistas representam 17% deles, suficientes para suplantarem o Verdão e o Peixe.

Rio Grande do Sul

Imigrantes gaúchos são 20,2 mil no DF – ou 1,4% do total. Grêmio (40,7%) e Internacional (34,3%) monopolizam as atenções, embora não se perceba a famosa”blindagem” verificada no estado de origem, pois outras dez grandes agremiações atraem 23% das preferências. Destaque para os flamenguistas (9,8%).

Demais estados

Capixabas – presentas na tabela como “Restante Sudeste” – são flamenguistas (47%), vascaínos (17%) tricolores e botafoguenses (9% cada), números próximos à configuração dos cariocas. No combo Paraná + Santa Catarina (“Restante Sul”), 24,5% são flamenguistas, 10,3% corintianos, 8,9% vascaínos e 6,9% palmeirenses. Por fim, entre os egressos dos dois Mato Grossos “(Restante Centro Oeste”), também predominam torcedores do Flamengo (27,7%). Corinthians (13,0%), Vasco (11,9%) e São Paulo (9,7%) completam o ranking.

O Blog Teoria dos Jogos agradece a contribuição de Daniel Endebo.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o blog Teoria dos Jogos no Facebook!

Arena x Gigante – uma visita ao Estádio Beira-Rio

Na última terça-feira , o Blog Teoria dos Jogos publicou sua análise de match day relativa à Arena do Grêmio, em operação na vitória do anfitrião sobre o Joinville. O resultado repercutiu positivamente entre os gremistas, orgulhosos de seu portentoso estádio enquanto anseiam pelas melhorias prometidas no entorno.  Infelizmente não houve jogo do Internacional no mesmo fim de semana, impedindo análises que envolvam a logística em torno do Beira-Rio. Nada que inviabilize, entretanto, a comparação direta da estrutura dos estádios.

O que particularmente mais chocou a audiência do Blog foram os ângulos inéditos do entorno da Arena Grêmio. Neste quesito, a experiência no Beira-Rio proporciona sensação diametralmente oposta. Localizado numa área das mais nobres de Porto Alegre, o espaço colorado se vê banhado pelas águas do Guaíba e acariciado por um revigorante parque ao seu lado. Para completar, um número razoável de bons quartos de hotel numa linha reta pela Avenida Borges de Medeiros:

Fig 01

Na fachada, o Beira Rio é muito bonito e um dos mais criativos da Copa, tudo por suas belíssimas membranas em formato folhado. Contudo, se agrada pelo design um tanto clean, passa longe de impressionar pela imponência. Na verdade, visto de fora já se tem a sensação de um estádio de médio porte, algo diferente das credenciais apresentadas pelo arquirrival. De fato, alguns passos separam as arquibancadas da calçada.

Ainda no lado externo, o Gigante possui um bom número de lojas disponíveis para comercialização – todas em etapa final de locação, segundo informações da diretoria colorada. Finalizado o processo, serão 41 dos mais diversos segmentos, transformando o estádio num verdadeiro shopping a céu aberto. Também por lá se acessa a Central de Atendimento ao Sócio, destinada à resolução de toda sorte de problemas no clube com maior quadro associativo do país. Para tanto, são disponibilizados 16 guichês que trabalham a todo vapor em dias de jogo:

Fig 02

Fig 03

Fig 04

Também pelo lado de fora de acessa o Museu do Internacional – em processo de reabertura para o público geral e ainda bastante simples e pouco interativo – além da mega loja colorada. Segundo o Inter, seu número de visitantes (majoritariamente fazendo a Visita Colorada) aproxima-se dos cinco mil por semana, superando a marca de 250 mil anuais e fazendo do Beira Rio um dos templos futebolísticos mais visitados do Brasil:

Fig 05

Fig 06

Ao adentrar os corredores internos, certa decepção. Além de estreitos, a profusão de concreto armado se assemelha às más experiências verificadas no Mané Garrincha e no Mineirão. Estima-se em cerca de R$ 6 milhões um acabamento mais primoroso, com pisos e pastilhas, o que teoricamente deveria ter sido entregue pela construtora Andrade Gutierrez:

Fig 07

No acesso dos jogadores ao campo, foi empregada solução mais simples e barata, com placas ornamentando a passagem e tampando o cimento cru dos corredores. Nos vestiários, um uniforme completo de Andrés D’Alessandro sempre disponível para fotografias, denotando o nível de idolatria em torno do argentino:

Fig 08

Fig 09

Fig 10

Por dentro, das arquibancadas ou do próprio gramado, a torcida se vê diante do típico Padrão-FIFA: visual belíssimo e em plena harmonia com as cores do clube. Atrás das traves, espaços um tanto longos até a primeira linha de torcedores.

Fig 11

Fig 12

As áreas nobres do estádio são bonitas e interligadas com um edifício-garagem – uma das muitas fontes de receitas exploradas pela construtora. Dentro dos camarotes, uma surpresa: o visual mais próximo ao gramado já visitado pelo Blog Teoria dos Jogos. Além disso, quase inexiste separação destes assentos com as arquibancadas normais. Isto significa que: 1) A experiência de estar num camarote do Beira-Rio é de plena imersão no calor de uma torcida; 2) Um astro qualquer (artista ou ex-jogador) dificilmente teria a privacidade exigida em um espaço do gênero.

Fig 13

Fig 14

Fig 15

Fig 16

Mas o Beira-Rio possui um segundo setor prime, também inédito em meio às nossas visitações. Tratam-se dos sky boxes: espécies de camarotes localizados acima do anel superior, apenas em um dos lados do estádio. Por ali a visão é mais ampla e a privacidade, plena.

Fig 17

Fig 18

Fig 19

Fig 20

Fig 21

É também onde melhor se pode observar a bonita disposição da cobertura:

Fig 22

A lotação máxima oficial é de 50.038, mas por questões técnicas o Beira-Rio não recebe públicos superiores a 45 mil, fazendo dele menor que a Arena do Grêmio em 10 mil lugares:

Fig 23

À noite, um deslumbre: até a meia-noite, luzes iluminam as folhas do Beira-Rio, fazendo da noite de Porto Alegre um estonteante rubor:

Fig 24

Arena do Grêmio vs Beira-Rio: O veredito

Embora seja pantanoso o terreno das comparações entre Grêmio e Inter, a verdade é que as fanáticas torcidas do Rio Grande do Sul precisam delas. Isto porque tricolores e colorados, duas faces de uma mesma moeda, trazem consigo a grandeza do maior rival justamente por conta desta saudável competição. Sendo assim, o Blog Teoria dos Jogos não se faz de rogado e apresenta suas impressões finais a respeito deste verdadeiro duelo de titãs.

A Arena do Grêmio é um estádio melhor que o Beira-Rio – talvez um pouco mais do que “melhor”. Não por demérito colorado, mas por uma imponência que destoa do próprio padrão de concorrentes do gênero. A Arena é um primor aos níveis mais detalhistas. Estádio por estádio, vitória do Grêmio.

Mas o Beira-Rio se funde com a paisagem a ponto de não sabermos se a beleza ali se instalou por conta do estádio ou apesar dele. Tem todas as funcionalidades que se exige de uma arena, interliga-se ao centro de treinamento (do outro lado da avenida) e até brilha no escuro. O “combo” do Beira-Rio supera o da Arena.

Apesar da tendência do Blog à predileção de um pacote em detrimento da estrutura isolada, a verdade é que o Grêmio tem em mãos a chance de adotar a suprema iniciativa de marketing jamais implementada. Algo que, de tão grandioso, transbordaria a escala comercial, se moldando como ação de responsabilidade social. Trata-se da integração de seu entorno, a promoção de melhorias e de ascensão social. Neste sentido, o Inter tem a vida simplificada, livre para trabalhar o próprio engrandecimento. Improvável, pois será tão mais Gigante quanto menos pensar apenas em si.

O Blog agradece ao Diretor de Administração do SC Internacional, André Flores.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

A Pesquisa da Vez: Maringá (PR) – 2015

Header-188BET-728-x-90-Brasileirão1

Detalhamento da pesquisa:

Localidade: Maringá, Paraná.
Elaborador: Faculdade Cidade Verde (FCV)
Amostra: 453 entrevistados em maio de 2015
Margem de erro: 2,5 p.p

Uma das principais características das torcidas no interior do Paraná é a primazia das equipes paulistas entre as preferências: trata-se de algo presente em todos os levantamentos publicados pelo “antigo” Blog Teoria dos Jogos. Uma das mais belas e importantes cidades da região, com 391 mil habitantes e alto índice de desenvolvimento humano, Maringá não foge às características do norte paranaense. Foi o que identificaram os alunos do curso de economia da Faculdade Cidade Verde (FCV), num dos mais recentes materiais do gênero:

Arte: maringanews.com.br
Arte: maringanews.com.br

O Corinthians lidera de forma absoluta (24,28%), com percentual quase duas vezes superior ao do segundo colocado, Palmeiras (12,8%). Em situação de completo empate técnico, São Paulo (11,26%) e Santos (10,82%) surgem nos calcanhares alviverdes. Tradicional estranho no ninho, o Flamengo aparece com 4,64% da torcida. A partir de então temos o próprio Maringá (2%), além de Internacional (1,33%), Cruzeiro (1,2%) e Grêmio (1%) ultrapassando a marca unitária. Clubes do estado, como Atlético-PR (0,87%) e Coritiba (0,66%), chafurdam nas insignificantes 11ª e 12ª colocações, respectivamente.

Embora não se trate de instituto com registro em órgão de classe, chamou atenção o alinhamento desta pesquisa com algumas anteriores. Tanto em 2008 quanto em 2012, o instituto Paraná Pesquisas trouxe à tona números bastante semelhantes – especialmente na comparação com 2012:

Fig 02

Percebam que não é de hoje o descolamento corintiano nem o tríplice empate entre Santos, Palmeiras e São Paulo. O Flamengo sempre surge em posição intermediária, ainda que agora num patamar ligeiramente abaixo. Além destes cinco, nenhum clube apresenta força para se fazer realmente presente às ruas de Maringá.

Talvez por não se tratar de um instituto formal, não foram divulgadas tabulações por gênero, renda ou escolaridade – o que pouco revelaria devido à baixa amostragem. O Blog Teoria dos Jogos tentou contato com o coordenador da pesquisa, não obtendo sucesso.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

O risco dos balanços

Header-188BET-728-x-90-Brasileirão1

Na proximidade de adentrarmos a segunda quinzena de junho, a sensação é que a temática dos “balanços” arrefeceu por completo. Pudera: a obrigação legal para publicação das demonstrações financeiras (fim de abril) faz de maio um mês recheado de análises sobre receitas e endividamentos. Algumas semanas depois, entretanto, a mídia parece não considerar novas abordagens na área. O Blog Teoria dos Jogos, remando contra esta maré, vem a público tocar numa verdadeira ferida.

É fato que demonstrações financeiras muitas vezes apresentam fragilidades que são ocultadas pela ignorância do público geral na leitura de documentos do tipo. Pior: em alguns casos, balanços podem mesmo não apresentar qualquer fidedignidade, nenhum reflexo da situação econômico-financeira das instituições. É por isto que existem as empresas de auditoria.

Auditores contábeis, de maneira geral, são os responsáveis pela inspeção e análise das demonstrações contábeis de uma empresa. Caso não concordem com algum procedimento, são feitas ressalvas – sejam elas brandas ou mais severas. Nos casos extremos em que um balanço é rejeitado, as auditorias suavemente emitem um “no opinion” quanto ao conteúdo avaliado.

Os processos adotados pela “contabilidade criativa” dos clubes de futebol fazem com que, no Brasil, nenhuma das chamadas Big4 globais (PriceWaterhouse Coopers, Deloitte, Ernst Young e KPMG) aceitem auditá-los. Em compensação, outros players do “Top 20 global” se prontificam a fazê-lo.

O tamanho e a localização geográfica de uma empresa não tem relação necessária com sua capacidade. Sendo assim, auditores regionais podem ser tão competentes quanto gigantes internacionais. Mas a prática nos diz que clubes cujos processos são questionados jamais terão suas contas aprovadas por um destes gigantes.

Com isto em vista, o Blog Teoria dos Jogos decidiu questionar a qualidade das demonstrações apresentados pelos clubes brasileiros. Para tanto, nos debruçamos sobre avaliações contidas nos próprios balanços. E mais: recorremos à consultoria de fontes de alto gabarito no mercado*, solicitando avaliações sobre o risco dos auditores e dos próprios balanços. Tudo com base no grau de severidade atribuído às fragilidades encontradas.

*Por questões éticas, seus nomes não serão divulgados.

Os clubes cujos balanços foram avaliados são os seguintes:

Botafogo – clique aqui para acessar o balanço

Flamengo – clique aqui

Fluminense – clique aqui

Vasco – clique aqui

Corinthians – clique aqui

Palmeiras – clique aqui

São Paulo – clique aqui

Santos – clique aqui

Atlético-MG – clique aqui

Cruzeiro – clique aqui

Grêmio – clique aqui

Internacional – clique aqui

Atlético-PR – clique aqui

Coritiba – clique aqui

Bahia – clique aqui

Segue uma tabela com aqueles cujo risco foi considerado “Baixo”:

Fig 01
Clique para ampliar

Em posição de destaque, Atlético-PR, Atlético-MG, Cruzeiro, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Corinthians e Coritiba. Apenas este último teve identificada uma fragilidade, ainda assim relativamente branda (a falta de exposição da fatia do clube nos direitos econômicos de seus atletas). Já o Cruzeiro, embora detentor de um balanço confiável, delegou a auditoria a pessoas físicas.

Internacional e Palmeiras tiveram seus balanços avaliados como de “médio risco”. A explicação reside no campo “Fragilidades”, se referindo à adesão colorada à Timemania e à avaliação palmeirense quanto à depreciação de seu imobilizado:

Fig 02
Clique para ampliar

Já Botafogo e Bahia tiveram balanços avaliados como de “alto risco”:

Fig 03
Clique para ampliar

O clube da Estrela Solitária viu a Mazars emitir “opinião com ressalvas”, com base nas duas fragilidades expostas na tabela – aqui consideradas de severidade “Média” e “Gravíssima”. Já o Tricolor baiano teve três fragilidades, de severidades “Média”, “Gravíssima” e “Grave”.

Grêmio e Vasco foram os clubes que mais deram motivos para ressalvas dos auditores – respectivamente sete e seis. Por isto foram balanços considerados de “altíssimo risco”:

Fig 04
Clique para ampliar

Por fim, uma situação de completa exceção, a do Santos:

Fig 05
Clique para ampliar

Simplesmente não foi possível avaliar sua situação patrimonial, uma vez que o Peixe não foi auditado. As “informações gerais” de seu balanço foram tão somente estas:

Fig 06

Ou seja, o alvinegro praiano divulgou suas demonstrações na data-limite alegando estar ainda “em processo de conclusão de auditoria”. Só que de lá pra cá, nada mais foi dito…

Este levantamento tem como intuito demonstrar a situação antagônica em que se encontram os clubes no Brasil, com apenas parte deles zelando pela transparência e as boas práticas contábeis. Infelizmente, quando maus exemplos e interesses escusos partem da própria CBF, não existem tantos motivos para esperança.

Desde já o Blog Teoria dos Jogos se coloca como um espaço aberto para esclarecimentos tanto da parte dos clubes quanto dos auditores.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

O ranking dos patrocínios – Série A 2015 (Em valores mensais)

Header 188BET 728 x 90 Brasileirão

Um dia após a eclosão do maior escândalo de corrupção da história da FIFA, o Blog Teoria dos Jogos traz a público seu costumeiro foco naquilo que deveria ser considerado o lado sério do futebol. Negócios precisam envolver pessoas responsáveis, bem intencionadas e por que não dizer, dotadas de vergonha na cara. Interesses escusos que recheiam contas bancárias de gatunos e aproveitadores devem ter o destino que o FBI parece reservar aos dirigentes envolvidos no episódio: a cadeia.

Dito isto, vamos ao que interessa. Após uma incessante apuração, apresentamos um dos levantamentos mais importantes no tocante à geração de caixa: o ranking de patrocínios às camisas dos clubes da Série A. Mas sob uma nova ótica. Por conta da diferença na duração dos contratos, o cálculo se refere ao valor mensal auferido por cada participante. Isto porque, capitaneados por uma nova política da Caixa, alguns contratos se encerrarão ao final de 2015, não sendo mais anualizados.

Importante deixar claro que as tabelas abaixo passam longe de qualquer verdade absoluta. Tratam-se de valores divulgados na mídia à época da celebração dos contratos, com algumas apurações do Blog entre fontes ligadas aos clubes. Em alguns casos, foram ainda utilizadas projeções, estimativas de mercado ou extrações dos balanços dos clubes. Decerto um trabalho exaustivo, até por se referir a questões rodeadas de sigilo e cláusulas de confidencialidade.

Eis, portanto, o ordenamento dos maiores patrocínios do Brasil em valores mensalizados:

1) Flamengo – R$ 4,8 milhões

Fig 01

Embora não seja o líder quanto ao valor total dos contratos, é o Flamengo que fica na liderança sob a ótica dos aportes mensais de patrocínios. Isto porque, embora Caixa e Jeep tenham fechado parcerias relativamente curtas (sete meses, até o fim de 2015), os repasses representam o que há de mais alto em valores de mercado. A menor duração dos mesmos só será um problema caso as negociações de renovação falhem ou novas empresas não se interessem em substituí-las de imediato.

2) Palmeiras – R$ 4,08 milhões

Fig 02

A situação do Palmeiras é um pouco diferente do Fla: sem problemas quanto à duração dos muitos patrocínios, pertence ao alviverde a maior soma do valor dos patrocínios. Mas, por se dissiparem ao longo de doze meses, os repasses mensais acabam ficando abaixo do rival carioca. O Palmeiras é também quem loteia o maior número de propriedades em seu uniforme, com interessantes revezamentos entre as marcas (algumas de um mesmo conglomerado).

3) Corinthians – R$ 3,2 milhões

Fig 03

Da contratação de Ronaldo Fenômeno ao advento de sua “era de ouro”, por anos o Corinthians se habituou a ocupar a liderança de rankings do gênero. Mas a realidade agora é outra: o clube do Parque São Jorge se vê preocupantemente na dependência de um único contrato – em termos absolutos ainda o maior do país (Caixa). De positivo, o casamento recém celebrado com o aplicativo 99Táxis, novo “menino dos olhos” do mercado publicitário.

4) Vasco da Gama – R$ 3,06 milhões

Fig 04

Eurico Miranda tem muitos, muitos defeitos. Um deles é transformar o Vasco numa caixa preta sem nenhuma transparência – o que faz de todo número envolvendo o clube uma enorme fonte de especulação. Aqui não foi diferente. Mas pelo visto os vascaínos não podem reclamar da capacidade de prospecção de negócios da atual administração. Com Caixa, Viton 44 e Tim, o cruzmaltino galgou a um imponente quarto lugar no ranking de patrocínios.

5) Atlético-MG – R$ 2,19 milhões

Fig 05

Contactamos o Atlético de maneira inócua. Neste departamento, o Galo é muito como o Vasco: executivos não autorizados a divulgarem absolutamente nenhuma importância que envolva o clube. Isto faz com que a única referência sejam especulações de mídias nem sempre especializadas. É o caso da parceria com a Tenco Engenharia, presumida pelo Blog como R$ 900 mil anuais embora muitos veículos tenham noticiado R$ 900 mil mensais – impossível, em se tratando do valor da propriedade em questão. Também não foi possível confirmar os valores repassados pela Tim, decerto entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões anuais. Não mudariam, entretanto, a posição do Galo neste ordenamento. Em tempo: é no uniforme alvinegro que se verifica a maior variedade de marcas de diferentes conglomerados.

6) Grêmio e Internacional – R$ 1,85 milhões

Fig 06

Diferenças de valores não são admitidas no excêntrico mercado publicitário gaúcho. Grêmio e Internacional angariam absolutamente os mesmos valores de Banrisul, Tramontina, Unimed e Tim. Os três últimos não pagam exatamente igual, sendo estimativas apuradas pelo Blog com base no somatório de seus repasses.

8) Fluminense – R$ 1,5 milhões

9) Coritiba – R$ 683 mil

10) Atlético-PR – R$ 583 mil

Fig 07

O oitavo posto é ocupado por um Fluminense ainda em estágio de adaptação à sua nova realidade. Por anos, os tricolores usufruíram de uma espécie de mecenato da Unimed, auferindo valores totalmente desconectados da realidade do mercado. Isto acabou, e o Flu até que se saiu bem repondo rápido os espaços que ficaram vagos. De qualquer maneira, a diferença hoje se faz gritante: o clube fatura o equivalente à metade do Vasco e um terço do Flamengo.

Completando o top-10, temos a dupla Atletiba. Equiparada em valor por Caixa e Tim, os rivais de Curitiba veem a balança pender para o Alto da Glória no número e no valor pago pelos demais anunciantes. A Pro Tork, inclusive, é uma das únicas a admitirem via site oficial quanto pagam por sua propriedade. Trata-se da empresa que investiu R$ 16,6 milhões na construção de três anéis de camarotes, lanchonetes e lounges do estádio Couto Pereira.

11) Chapecoense – R$ 533 mil

12) Joinville – R$ 520 mil

13) Sport – R$ 500 mil

14) Figueirense – R$ 375 mil

Fig 08

Com exceção do Joinville, temos aqui uma sequência de clubes patrocinados pela Caixa (algo que facilita a apuração) e que muito provavelmente se adequarão à nova política de renovação de patrocínios da estatal. Não foi possível apurar os valores pagos pela 99Táxis ao Sport e por Taschibra/Liderança ao Figueirense, o que pode gerar modificações no ordenamento.

15) Santos – R$ 375 mil

Fig 09

O 15º posto é surpreendente – embora não mais do que o que está por vir. Com apenas um remanescente dos áureos tempos, o Santos sofre com o sumiço de anunciantes desde a saída de Neymar em 2013. Pelas boas atuações coroadas com o título, durante o Paulista foram muitas as parcerias pontuais. Mas relações estáveis andam difíceis para os lados da Vila Belmiro.

16) Avaí – No mínimo R$ 321 mil

17) Goiás – No mínimo R$ 241 mil

18) Ponte Preta – No mínimo R$ 237 mil

Fig 10

Não foi possível apurar o montante repassado aos clubes acima, de modo que as estimativas se baseiam na conta de “patrocínios” das respectivas demonstrações financeiras.

19) Cruzeiro – R$ 200 mil

20) São Paulo – zero

Fig 11

O gran finale da coluna traz dois gigantes em situação de dificuldade. O Cruzeiro, nada menos que atual bi-campeão brasileiro, já deixou de arrecadar cerca de R$ 5 milhões com a falta de patrocinadores no uniforme (valores atualizados). Como alento, a venda de camisas vem explodindo pela beleza do azul celeste livre de logotipos alienígenas. A expectativa do clube é fechar os seis primeiros meses com 190 mil camisas vendidas, número próximo das 220 mil vendas contabilizadas em todo o ano passado.

Já o São Paulo até vem fechando patrocínios, mas de outras naturezas. Gatorade e Copa Airlines se uniram ao clube em 2015 para ações de relacionamento, publicidade e mídias digitais – um excelente mercado a ser explorado.  Mas não caíram bem os dois jogos de exposição da companhia aérea no uniforme durante a Libertadores. Ainda que venha tentando diversificar seu portfolio, a verdade é que desde que passou a conviver com a falta de anunciantes, atrasos salariais no Tricolor Paulista também se tornaram notícia.

Lembrando que os valores aqui expostos são passíveis de modificação, sendo o Blog Teoria dos Jogos um espaço aberto caso clubes queiram contactá-lo para maiores esclarecimentos.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

E se o Brasil adotasse o modelo inglês?

Header 188BET 728 x 90

Talvez seja questão de tempo, não se sabe ao certo. Mas a sensação que fica é: enquanto não houver mudanças no modelo que distribui os recursos do televisionamento, a demagogia no futebol brasileiro não cessará.

O “bastião da moralidade” é o deputado Mendonça Filho, do DEM/PE, que apresentou emenda à Medida Provisória do Profut visando aplicar por aqui o modelo de repartição do futebol inglês: 50% da verba dividida entre todos os clubes, 25% conforme a classificação do torneio anterior e 25% proporcionais à audiência média de cada um.

Se isto acontecesse, como as coisas ficariam? A resposta vem de um elucidante trabalho de Christiano Candian, autor do blog Constelações e leitor do Blog Teoria dos Jogos. Ele preparou uma planilha que projeta diferentes cenários segundo mudam os percentuais atribuídos a cada critério.

Na hipótese da divisão à inglesa: 50% igualitária, 25% esportiva, 25% audiências:

Fig 01

PS: Valores em milhões de reais, com base na distribuição de recursos vigente do triênio 2013-2015 (diferente das demonstrações financeiras). O percentual de audiência foi dado como proporcional às cotas atualmente percebidas. Foram incluídos apenas os participantes da Série A em 2014 – por isso a ausência do Vasco.

A diferença entre quem ganha mais e menos (Corinthians e Criciúma) ficaria inacreditavelmente pequena: R$ 68,9 milhões a R$ 28,5 milhões. Isto significa que o Corinthians, uma das locomotivas do futebol nacional, levaria apenas 2,4 vezes mais que um clube de torcida quase municipal. Nem assim agradando aos puristas, já que na Inglaterra a diferença fica na ordem de 1,5 vez

O mais impactante pode ser visto na coluna “Diferença”, que denota o quanto ganham ou perdem os clubes sob este novo ordenamento. Gigantes como Flamengo e Corinthians experimentariam sangria superior a R$ 40 milhões. Mas não só eles: São Paulo, Palmeiras, Santos e Botafogo teriam prejuízos de R$ 8 milhões a R$ 24 milhões. Em suma: clubes que representam metade da população nacional chafurdariam para encher os bolsos de Figueirense (R$ 18,1 milhões), Atlético-PR (R$ 16,8 milhões), Chapecoense (R$ 15,9 milhões) e – é lógico – o Sport (R$ 13,5 milhões), do estado do digníssimo parlamentar.

Mas a tabela permite simulações com base em outras divisões. Se ela fosse 50% esportiva, 25% igualitária e 25% audiências:

Fig 02

Neste caso, o “clube dos infelizes” teria a deficitária companhia da dupla Ba-Vi, rebaixada em 2014. O benefício viria ao campeão, com nada menos que R$ 21,3 milhões adicionais nos cofres do Cruzeiro. O Flamengo desabaria no mesmo montante da simulação anterior (R$ 47 milhões), recebendo menos que Corinthians, São Paulo e Cruzeiro. Mas a concentração aumentaria, com o líder faturando 4,2 vezes mais do que o último colocado.

Já no caso de 50% audiências, 25% esportiva e 25% igualitária:

Fig 03

Teríamos um cenário mais racional: os mesmos prejudicados do primeiro cenário com quedas menos acentuadas – a do Flamengo, de R$ 31,5 milhões. Por analogia, o maior beneficiado teria ganhos menos expressivos (R$ 12,1 milhões ao Atlético-PR). Nos três cenários – dado o peso dos resultados esportivos – o Corinthians seria líder, aqui angariando 4 vezes mais do que o Tigre de Santa Catarina.

E a opinião do Blog…

Já expusemos nossa opinião sobre a adoção do modelo inglês num texto denominado “Não existe “espanholização” no Brasil… no máximo uma “italianização”, quiçá “enfrancesamento”. Lá foi dito que em países cuja configuração de torcidas é bem conhecida – casos de Espanha, Itália ou do próprio Brasil – recursos são direcionados de maneira concentrada nos chamados “trens pagadores”.

Se não somos tão concentrados quanto os países citados, a configuração de torcidas no Brasil também não difere tanto. Por aqui, flamenguistas atingem cerca de 24% do universo de torcedores, ao cabo que a Juventus possui 29% e o Real Madrid, 37%. Quando Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco entram em cena, passam a representar 66% da torcida e inacreditáveis 80% entre jovens.

Soa razoável este complexo de Robin Hood, refutando ditames de mercado em meio a relações puramente comerciais entre entes privados?

Não, não soa.

E o Blog Teoria dos Jogos não está sozinho em sua posição. Segundo Emerson Gonçalves, autor do blog Olhar Crônico Esportivo, haveria muitas diferenças entre Brasil e Inglaterra – explicando a pouca similaridade entre os modelos adotados aqui e lá. Ele diz:

-No Brasil a TV já nasceu privada, tendo desde o início dependido do mercado publicitário para sobreviver e crescer. Muito porque se baseou no sistema de transmissão em canal aberto, gratuito e financiado por anunciantes que pagam em troca de visibilidade. Isto não aconteceu na Inglaterra, onde a TV nasceu pública e a publicidade veio bem depois.

Por isto, Emerson diz que “quando se negociam as transmissões do futebol no Brasil, é mais do que evidente que se busca a audiência”, presumindo não haver mal e refutando a adoção de modelos moldados por diferentes realidades.

Agradecemos a Christiano Candian e Emerson Gonçalves, convidando os leitores para mais esta reflexão acerca de um tema que nunca sai de pauta.

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!

As torcidas da “Corrida”

Header 188BET 728 x 90

Hoje à noite acontece no Rio de Janeiro mais uma etapa da “Corrida das Torcidas”, evento que começa a se tornar tradicional no calendário esportivo carioca. Com etapas que envolvem voltas em torno do Maracanã e da Lagoa Rodrigo de Freitas, a competição tem como diferencial fazer com que cada corredor “represente” o time que torce, apontando-o no momento do seu cadastro.

Como pro Blog Teoria dos Jogos, “envolveu torcida, tem que envolver pesquisa”, elaboramos um levantamento desde o evento de 2013 – quando times de fora do Rio começaram a poder ser escolhidos. De lá pra cá, estes foram os números das torcidas:

Corrida das Torcidas 2014

Etapa Maracanã (Geral Masculino)

TOTAL – 777

Flamengo – 239

Vasco – 140

Fluminense – 96

Botafogo – 86

 

Etapa Maracanã (Geral Feminino)

TOTAL – 593

Flamengo – 165

Fluminense – 89

Vasco – 69

Botafogo – 59

 

Etapa Lagoa (Geral Masculino)

TOTAL – 700

Flamengo – 276

Vasco – 143

Fluminense – 97

Botafogo – 70

 

Etapa Lagoa (Geral Feminino)

TOTAL – 551

Flamengo – 224

Vasco – 100

Fluminense – 76

Botafogo – 65

 

Corrida das Torcidas 2013

Masculino

TOTAL 1020

Flamengo – 351

Vasco – 167

Fluminense – 105

Botafogo – 106

 

Feminino

TOTAL – 711

Flamengo – 260

Vasco – 99

Fluminense – 99

Botafogo – 60

 

No agregado, os resultados seguem abaixo – todos além dos quatro grandes do Rio em percentuais aproximados. Apenas o Flamengo marcou menos do que costuma acontecer em pesquisas na capital carioca. Os demais, em linha com a percepção de torcidas na cidade:

Corrida

Um grande abraço e saudações!

E-mail da coluna: teoriadosjogos@globo.com

Siga @vpaiva_btj

Curtam o Blog Teoria dos Jogos no Facebook!